Abu Salem interrogado sobre série de atentados terroristas de 1993

As autoridades indianas começaram hoje a interrogar Abu Salem, extraditado quinta-feira por Portugal, sobre a sua alegada participação numa série de atentados terroristas que em 1993 mataram mais de 250 pessoas em Bombaim.

Agência LUSA /

Para as autoridades indianas, Abu Salem é o principal suspeito do planeamento de uma série de atentados perpetrados há dez anos na Bolsa de Valores, em comboios, hotéis e bombas de gasolina de Bombaim, ataques que, no total, mataram 257 pessoas e feriram cerca de 1.100.

"Abu Salem vai enfrentar acusações como a de cometer um acto terrorista contra o país, conspiração criminosa e fornecimento de armas e munições", informou hoje em Bombaim o delegado do Ministério Público indiano Ujjwal Nikam.

Se for condenado, enfrenta uma pena de prisão que pode ser perpétua.

As autoridades defendem que os atentados de Bombaim foram uma vingança de muçulmanos sobre nacionalistas hindus pela demolição de uma mesquita do século XVI situada no norte da Índia, um incidente que degenerou em confrontos que acabaram com a morte de mais de 2.000 pessoas, na sua maioria muçulmanos.

Abu Salem é suspeito de ter planeado os atentados terroristas com um outro conhecido membro do chamado "submundo" de Bombaim, Dawood Ibrahim, que os Estados Unidos afirmam ter ligações à rede terrorista Al-Qaida.

O paradeiro de Dawood Ibrahim é desconhecido, embora haja informações segundo as quais vive no Paquistão.

"A polícia tem provas de vários crimes contra Abu Salem, incluindo o de que ele trabalhou com Dawood Ibrahim no Dubai e no Paquistão. Mas, agora que está na Índia sob prisão, a polícia pode reconstituir a sua rede de cúmplices em todo o país", disse o delegado do Ministério Público indiano.

A segunda mulher de Abu Salem, Monica Bedi, uma ex-actriz de +Bollywood+ detida e extraditada com ele, deverá ser acusada de obtenção ilícita e falsificação de passaportes.

Abu Salem e Monica Bedi foram extraditados quinta-feira por Portugal, onde estavam detidos há três anos por posse de documentos falsos.

A extradição, pedida pela Índia por suspeita de actividades terroristas e outros crimes graves, foi decidida pela justiça portuguesa mediante garantias das autoridades indianas de que Salem não seria condenado à morte.

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