ACNUR alerta para rápida aceleração da crise de deslocados internos no Burkina Faso

A ONU alertou hoje que a crise dos deslocados internos no Burkina Faso atingiu um ritmo vertiginoso desde 01 de janeiro, e exemplificou com o massacre de 86 pessoas na semana passada em Seytenga, que obrigou à fuga de 16.000.

Lusa /

Segundo a agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), neste momento, 2,9 milhões de pessoas estão deslocadas no território deste país da África Ocidental, agora governado por uma junta militar desde o golpe de Estado em janeiro de 2022 contra o então presidente Roch Marc Christian Kaboré, e em plena dramática crise de segurança com uma população encurralada entre a Al-Qaida, o movimento extremista islâmico Estado Islâmico e violência entre comunidades.

Para o porta-voz do ACNUR, Matthew Stalmarsh, a situação é alarmante em cidades como Dori, no leste do país, e local onde se encontram os 16 mil burquinabês que fugiram do ataque na semana passada em Seytenga.

A população da cidade quintuplicou nos últimos meses devido à constante chegada de ondas de pessoas deslocadas, chegando a um total de 76.000 habitantes, aos quais devem ser adicionados outros 20.000 refugiados malianos.

O ACNUR espera a chegada de mais deslocados nos próximos dias, enquanto cerca de 360 ??pessoas decidiram refugiar-se no Níger atravessando a região de Tillabéri, onde outros 15.500 cidadãos do Burkina Faso sobrevivem graças à ajuda de famílias da cidade fronteiriça de Tera.

"A crise de deslocados no Burkina Faso está a tornar-se uma das mais rápidas do mundo", alertou o porta-voz do ACNUR, que denunciou o massacre como o mais sangrento desde o ocorrido em junho de 2021 na cidade vizinha de Solhan, onde foram chacinadas 130 pessoas.

O ACNUR está a preparar com as autoridades locais uma ação de apoio de emergência para atender mais de 1.000 famílias afetadas e identificar sobreviventes que foram vítimas de violência sexual.

No entanto, a agência da ONU lamenta que os doadores internacionais tenham contribuído apenas com 20% dos 100 milhões de euros solicitados para financiar programas humanitários no país.

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