ACNUR apela a um maior apoio global para desenvolver soluções para os refugiados
O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Barham Salih, apelou hoje, na sua primeira visita oficial a Nairobi, Quénia, a um maior apoio para desenvolver soluções que permitam aos refugiados reconstruírem as suas vidas.
"A crise de financiamento está a ameaçar vidas e corre o risco de reverter os progressos conquistados com tanto esforço", afirmou Barham Salih num comunicado, apelando aos agentes de desenvolvimento, instituições financeiras internacionais, doadores e setor privado para intensificarem o apoio ao plano Shirika.
O alto-comissário, que se reuniu hoje com o chefe de Estado queniano, William Ruto, e outros altos funcionários do Governo, elogiou o papel histórico do país africano no acolhimento de refugiados e agradeceu ao Presidente pelo compromisso das autoridades com as políticas progressistas nesta matéria.
"Estas políticas inclusivas são muito promissoras para transformar o futuro tanto dos refugiados como das comunidades que os acolhem", salientou Barham Salih.
Segundo o responsável, "apesar dos recursos escassos, o Quénia continua a mostrar uma solidariedade notável para com as pessoas necessitadas através de políticas inteligentes que promovem a autossuficiência e o crescimento económico".
Na primeira visita de Salih enquanto alto-comissário, o representante destacou que o município de Kakuma, no norte do país, exemplifica o potencial de transformação e inovação do Plano Shirika, servindo como um modelo global para a crise de refugiados, e defende que a prioridade deve ser substituir a dependência da ajuda humanitária por soluções que garantam dignidade e autonomia, permitindo que os refugiados contribuam ativamente para a sociedade em vez de ficarem restritos ao isolamento e à assistência passiva.
O alto-comissário reconheceu o apoio que o Quénia tem prestado aos refugiados, ao acolhê-los e ao adotar "políticas visionárias que permitem aos refugiados trabalhar e ter acesso a cuidados de saúde, educação e serviços financeiros".
Mais de 800 mil refugiados e requerentes de asilo vivem no Quénia, incluindo cerca de 300 mil refugiados, principalmente do Sudão do Sul, Burundi e República Democrática do Congo (RDCongo), que encontraram segurança em Kakuma, onde as consequências da falta de financiamento humanitário são graves.
Segundo a nota, em 2025, menos de um quarto do orçamento do Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) no Quénia foi financiado, tendo consequências como os "cortes nos cuidados de saúde, água e educação".
Os serviços de proteção também estão a ser fortemente reduzidos, sendo que os centros de acolhimento estão superlotados e os assistentes sociais que apoiam crianças e sobreviventes de violência de género estão a ser dispensados.