Acordo com FARC ainda não é sinónimo de paz para colombianos que vivem nos palcos do conflito

Bogotá, 26 set (Lusa) -- O acordo de paz assinado nesta segunda-feira pelo Governo colombiano e a guerrilha das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) traz novos desafios às regiões afetadas pelo conflito armado de mais de meio século, de acordo com moradores entrevistados pela Lusa.

Lusa /

Entre os temores dos moradores dos departamentos (estados) de Caquetá, Meta e Vichada, onde a guerrilha possui forte presença, estão o aumento da violencia por outros grupos armados e pela delinquencia comum, a recolocação dos desmobilizados, que irão regressar às suas casas, e que alguns grupos de guerrilheiros possam negar-se a deixar as armas.

Luz Dary Pineda, 35 anos, vítima da explosão de uma mina antipessoal na cidade de Vista Hermosa, em Meta, afirmou ser a favor do acordo de paz, mas destacou que já há pessoas deslocadas e ameaçadas na cidade por outros grupos armados.

"O governo precisa de trabalhar contra essa outra violência, tem de ter mais presença na região", disse.

Vista Hermosa é a cidade colombiana com mais vítimas de minas antipessoais, que foram colocadas pelas FARC contra o exército ou para proteger lugares estratégicos.

Carmen Galvis Salcedo, 45 anos, ex-secretária de Assuntos Indígenas do Departamento de Vichada e da etnia Sikuani, disse esperar que o acordo traga algo positivo para as futuras gerações e investimentos para a melhoria de vida da população indígena.

"O nosso temor é o de que os indígenas que fazem parte das FARC se desmobilizem e voltem aos seus resguardos [territórios demarcados] com outra cultura, que não respeitem as autoridades tradicionais e tentem impor-se e ter poder", disse.

A geógrafa Claudia Romero, 20 anos, nascida em San Vicente del Caguán, em Caquetá, afirmou ser a favor do acordo, mas acrescenta que o tema divide opiniões na sua cidade.

"Dizem que pode ser desastroso porque como as FARC desempenhavam o controlo, sem elas pode haver mais violência, as pessoas podem armar-se e gerar mais roubos, mais extorsão. Eu espero que o governo invista em políticas públicas e desenvolvimento e que haja mais paz. Mesmo que já não seja como em 2007, quando havia atentados a cada dois dias e bombas, ainda há violencia", disse.

De acordo com Claudia Romero, o acordo pode permitir novas atividades, como a exploração do turismo em zonas até então consideradas inseguras.

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