Líbano. Acordo com Israel cria duas "zonas piloto" para exército libanês
O acordo-quadro assinado em Washington, entre Israel, Líbano e Estados Unidos, prevê a transferência gradual do controlo de duas "zonas piloto" para o exército libanês.
As zonas devem expandir-se até que as forças estatais controlem todas as áreas afetadas, permitindo, em última análise, o regresso dos civis, refere o documento, assinado na sexta-feira.
Uma das duas primeiras zonas situa-se a sul e a outra a norte do rio Litani, a cerca de 30 quilómetros da fronteira com Israel.
Espera-se que a retirada israelita seja limitada, uma vez que o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu reiterou que o exército permanecerá no sul do Líbano até que o movimento armado xiita pró-Irão Hezbollah seja desarmado.
"Temos o prazer de anunciar um acordo-quadro entre o governo soberano do Líbano e o governo de Israel, com a mediação e o apoio dos Estados Unidos", disse o chefe da diplomacia norte-americana.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, acrescentou que o acordo estabelece as bases para "uma estrutura para uma paz e segurança duradouras".
O Presidente libanês, Joseph Aoun, considerou que o acordo-quadro é "o primeiro passo" para recuperar a plena soberania do país, sem ocupação de Israel ou tutela de terceiros, numa referência ao Irão.
Já o deputado do Hezbollah, Hassan Fadlallah, defendeu que o acordo corre o risco de conduzir a uma "guerra civil" se for implementado pelas autoridades libanesas.
Um dos pontos-chave do acordo é o "desarmamento verificado de grupos armados não estatais e o desmantelamento das suas infraestruturas associadas", incluindo o Hezbollah, que se opôs consistentemente às negociações.
Após o anúncio do acordo, os apoiantes do movimento manifestaram-se nas ruas de Beirute, particularmente nos bairros próximos do parlamento e ao longo de uma estrada que conduz ao aeroporto, e bloquearam pelo menos uma estrada com pneus em chamas, segundo a agência nacional de notícias libanesa.
As hostilidades na frente libanesa foram retomadas no início de março, depois de o Hezbollah ter lançado ataques contra Israel em apoio de Teerão, que foi alvo de uma ofensiva militar israelo-norte-americana.
O exército israelita realizou extensos ataques aéreos no Líbano e mobilizou tropas no sul do país, matando mais de 4.200 pessoas, segundo as autoridades libanesas. Ocupa uma zona de aproximadamente dez quilómetros de profundidade a partir da sua fronteira, destinada a proteger os habitantes do norte de Israel.
A trégua anunciada a 17 de abril nunca foi respeitada, mas os confrontos entre Israel e o Hezbollah diminuíram consideravelmente desde a assinatura, em meados de junho, de um memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão, no qual Teerão exigiu que a cessação dos combates no Líbano fizesse parte do acordo.