"Acordo de Copenhaga" fraco e não vinculativo

A Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas terminou com um resultado longe do esperado. Os 193 países membros da Convenção "tomaram nota" de um documento arquitectado pelos EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul. Os objectivos estabelecidos são pouco claros e não vinculativos.

RTP /
Uma delegada da Conferência do Clima adormece durante um intervalo no plenário Mads Nissen, EPA

"Finalmente conseguimos um acordo", disse o Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon. "O Acordo de Copenhaga pode não ser tudo o que muitos esperavam mas é um importante começo".

O documento fixa, como objectivo, a limitação do aquecimento global a um máximo de 2º Celsius em relação ao tempo pré-industrial. Não estabelece, no entanto, como é que esse objectivo será concretizado.

O Acordo de Copenhaga prevê também 30 mil milhões de dólares a curto para as nações em desenvolvimento e mais vulneráveis ao aquecimento global e um aumento até 100 mil milhões de dólares anuais até 2020. Uma vez mais, também neste caso não é especificado de onde virá esse dinheiro.

"Estamos basicamente perante uma carta de intenções", disse Yvo de Boer, o responsável pelo Secretariado das Nações Unidas para as Alterações Climáticas. "São os ingredientes de uma arquitectura que pode responder a longo prazo ao desafio das alterações climáticas, mas não em termos legais precisos. Significa isto que temos um longo trabalho até ao México".

Em Novembro de 2010 está prevista uma nova ronda de negociações.

Quercus diz que Acordo de Copenhaga representa um "fracasso"

"Apesar da Cimeira estar agora oficialmente terminada, o Acordo de Copenhaga foi "apenas registado" ou "tomado nota" e não "adoptado" pelos órgãos da Cimeira e suscita ainda dúvidas sobre o seu valor e enquadramento", adianta a organização ambientalista em comunicado. "Para tal necessitaria do consenso do plenário, com o voto favorável de todos os países, o que não aconteceu. Assim, o acordo, além de representar um fracasso na opinião da Quercus é um documento ainda mais fragilizado".

A Quercus responsabiliza os EUA pelo fracasso - "não querem assumir por agora metas de emissão ambiciosas e vinculativas" - e a China, "que se recusou a ver acompanhado internacionalmente o seu esforço de redução de emissões".

A organização ambientalista atira ainda culpas para o Canadá, por "trazer uma posição muito fraca para Copenhaga e sem intenção de a melhorar" e, finalmente, o Brasil "que participou activamente com os Estados Unidos na elaboração do famigerado acordo".

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