Acordo de princípio para levantamento de embargo de armas à Líbia

O Comité de Representantes Permanentes da União Europeia (UE), formado pelos embaixadores dos 25 Estados membros, alcançou hoje um acordo de princípio para levantar o embargo de armas imposto à Líbia desde 1986.

Agência LUSA /

A decisão final será tomada pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros, que se reúnem a 11 e 12 de Outubro em Bruxelas, indicaram fontes do Conselho da UE.

A medida foi discutida hoje pelos embaixadores, na sequência de um pedido do governo italiano nesse sentido apresentado no Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros a 13 de Julho passado.

A Itália pediu que fosse aligeirado ou mesmo levantado o embargo de armas para permitir a venda à Líbia de equipamentos necessários para lutar contra a imigração clandestina, entre os quais lanchas rápidas e barcos para a vigilância costeira.

A Itália é um dos principais receptores de imigração clandestina oriunda da África subsaariana, que utiliza a Líbia como país de trânsito.

O levantamento do embargo estava condicionado à resolução de assuntos pendentes com Tripoli, entre os quais o pagamento de indemnizações às vítimas do atentado contra um avião da companhia norte-americana PanAm sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1998, que matou 270 pessoas, e contra a discoteca La Belle, em Berlim, em 1986, que fez três mortos.

Os Estados Unidos, através do Departamento de Estado, anunciaram segunda-feira o levantamento da maioria das sanções económicas contra a Líbia, na sequência de Tripoli ter renunciado, em Dezembro último, aos seus programas de armas de destruição maciça.

Esta decisão do líder líbio, Muammar Kadhafi, permitiu a Tripoli retomar as relações com a comunidade internacional, oferecendo ainda a contrapartida da abertura do seu mercado, em especial a exploração petrolífera, que beneficia essencialmente as companhias norte- americanas.

A "ofensiva" de Kadhafi em direcção ao ocidente começou com a autorização de entrada no país de altos responsáveis da Administração Bush e a visita à Líbia do primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

Kadhafi recolheu ainda mais frutos da sua decisão ao visitar, no final de Abril deste ano, Bruxelas, onde se encontrou com as autoridades belgas e com o agora cessante presidente da Comissão Europeia Romana Prodi.

Prodi apelou à integração da Líbia no chamado Processo de Barcelona, que prevê a cooperação entre a UE e os países do Mediterrâneo. A Líbia é o único país da região fora deste processo.

VM.

Lusa/Fim


PUB