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Acordo israelo-palestiniano trava ofensiva sobre Gaza

Acordo israelo-palestiniano trava ofensiva sobre Gaza

A Faixa de Gaza amanheceu pacificada esta quinta-feira, com o acordo de cessar-fogo a passar o ensaio de uma primeira noite sem bombardeamentos israelitas sobre a capital, um contraste com os sete dias de confronto em que as colunas de fumo davam prova das armas que fustigavam o enclave governado pelo Hamas. Começados os trabalhos de limpeza para remover os sinais de destruição na cidade de Gaza, muitos palestinianos saíram às ruas para festejar o que está a ser visto como uma vitória histórica do movimento islamista e a sua afirmação como protagonista da região.

RTP /
Olivier Weiken, EPA

Ao fim de uma semana de ofensiva e contra-ofensiva na Faixa de Gaza, nem os mísseis israelitas nem os rockets palestinianos cruzaram os céus do território. Depois do falhanço que foi o anúncio de um primeiro-acordo de cessar-fogo na terça-feira, com o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu a corrigir logo que não havia entendimento para baixar as armas, as negociações israelo-palestinianas chegaram ontem a bom porto, fruto da intervenção da liderança egípcia, única protagonista da região capaz de manter um canal aberto entre as duas partes.

Facto é que depois do prazo estabelecido para calar as armas, pelas 21h00 locais (18h00 em Lisboa), as autoridades militares assinalam o lançamento de cinco rockets por milícias palestinianas contra o território de Israel, uma movimentação que os analistas atribuem à Jihad Islâmica.

Um porta-voz militar israelita confirmou à agência noticiosa espanhola Efe que, desde que entrou em vigor a trégua, "não houve qualquer atividade por parte das Forças de Defesa de Israel em Gaza, mas as milícias lançaram cinco mísseis entre as 21h00 e as 0h00", indicou um porta-voz do Tsahal, para acrescentar que "três mísseis caíram em território israelita e dois foram intercetados pelo sistema antimísseis Iron Dome".

É, no entanto, uma contabilidade oposta a dos custos da guerra desencadeada a 14 de novembro pelas forças de Israel: ao fim de oito dias de confrontação desigual - em que os israelitas puseram em marcha 1500 ataques contra território da Faixa de Gaza e o Hamas, a par de outros grupos, lançou umas centenas de rockets rumo a Israel – 162 palestinianos perderam a vida, grande parte mulheres e crianças; do lado de Israel, registaram-se cinco mortos.
Esforço egípcio e protagonismo do Hamas
A alteração da teia diplomática na região dificultou o desenho de uma solução para o conflito, em particular a dissolução das relações entre Israel e Turquia e a mudança de liderança no Egito foram fatores que subverteram certezas que seguravam o Médio Oriente. Razões suficientes para que os últimos dias tenham sido marcados por intensa atividade diplomática, a envolver atores de peso do xadrez internacional.

O Presidente norte-americano, Barack Obama, enviou a secretária de Estado, que levou na agenda três reuniões. Hillary Clinton encontrou-se com o chefe do Governo israelita, Benjamin Netanyahu, e com o Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, em Ramallah, voando depois para o Cairo, onde era aguardada pelo Presidente egípcio.

Ao patrocinar esta trégua de forma muito ativa, Mohammed Morsi, já antes encarado como a ponte mais fiável entre as duas partes, sai deste processo com uma posição reforçada na região. O anúncio do cessar-fogo foi, naturalmente, deixado para Morsi, durante uma conferência de imprensa conjunta com Clinton.

O secretário-geral das Nações Unidas passou igualmente pela região. Ban Ki-moon procurava aí conter a corrosão da imagem de um Conselho de segurança incapaz de se pôr de acordo com um texto comum para travar o conflito. Anunciada a trégua, fez questão de chamar a atenção para as vítimas do conflito, para quem pede agora cuidados especiais.

Mas a vitória, assinala a análise da Associated Press, pode ser reivindicada pelo Hamas, apesar dos números pesados nas mortes registadas entre a população civil. Forçando um acordo que permita a abertura da passagem de pessoas e bens na linha que separa a Faixa de Gaza e Israel, os radicais islâmicos que governam a Faixa de Gaza - a Cisjordânia está nas mãos da Fatah de Abbas – emergem no cenário da região com uma imagem diferente do passado recente: um Hamas isolado numa agenda de luta quase local.
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