Acordo Mercosul. Cerca de 1.500 agricultores protestam em Madrid

Acordo Mercosul. Cerca de 1.500 agricultores protestam em Madrid

Cerca de 1.500 agricultores, apoiados por 348 tratores, entraram esta quarta-feira, no centro de Madrid para protestar contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul e contra os cortes previstos na Política Agrícola Comum (PAC).

RTP /
Foto: Oscar Del Pozo - AFP

A mobilização convergiu para o Ministério da Agricultura do Governo espanhol, depois de os tratores terem avançado em quatro colunas a partir dos quatro pontos cardeais de Madrid, segundo a agência Lusa.

No centro das críticas está o tratado assinado entre a UE e os países do Mercosul - Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia - que, segundo os manifestantes, colocará os produtores europeus em desvantagem devido às exigentes regras e regulamentos comunitários a que estão sujeitos.

Para o presidente da União Nacional de Associações do Setor Primário Independentes (Unaspi), Miguel Ángel Aguilera, o acordo será “o golpe final” que poderá “acabar com o setor primário europeu”.

Os agricultores contestam também a proposta da Comissão Europeia para o orçamento comunitário a partir de 2028, que prevê cortes nas verbas da PAC. As organizações União de Uniões e Unaspi, responsáveis pela convocatória do protesto em Madrid - que decorreu em simultâneo com ações noutras cidades espanholas -, tinham anunciado a presença de 500 tratores e 5.000 pessoas na capital.
A contestação do setor agrícola tem sido constante desde o início do ano. 
Um dos momentos de maior mobilização ocorreu a 29 de janeiro, quando mais de 25 mil pessoas e 10 mil tratores participaram numa jornada nacional de protesto convocada pelas principais organizações agrícolas.

Entre elas a Associação Agrária Jovens Agricultores (Asaja), Coordenadora de Organizações de Agricultores e Produtores de Gado (COAG) e União de Pequenos Agricultores e Produtores de Gado (UPA).

Apesar da pressão nas ruas, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, voltou a defender o acordo no parlamento.

O chefe do Governo espanhol considerou o tratado positivo num contexto internacional que descreveu como marcado pela “lei da selva” que países como os Estados Unidos procuram “impor nas relações internacionais”.

Sánchez sublinhou que “há muitos blocos regionais que querem associar-se com a União Europeia” e apontou como prioridade reforçar o mercado interno europeu, através da “simplificação e harmonização” das leis dos Estados-membros, bem como diversificar parcerias externas para garantir “previsibilidade, segurança e respeito”, segundo a agência Lusa.

Dirigindo-se aos agricultores, o primeiro-ministro de Espanha assegurou que os líderes europeus estão “muito conscientes” das preocupações do setor, destacando as ressalvas aprovadas esta semana pelo Parlamento Europeu, bem como os mecanismos de compensação e apoio financeiro previstos por Bruxelas.

O acordo de livre-comércio foi assinado em Assunção, capital do Paraguai, a 17 de janeiro, após mais de duas décadas de negociações. Contudo, a 21 de janeiro, o Parlamento Europeu decidiu enviar o texto para o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), a fim de garantir que não entra em conflito com os tratados comunitários, suspendendo o processo de ratificação até que os juízes se pronunciem.

O Parlamento Europeu, adotou na passada terça-feira, “as regras para acionar um travão de emergência às importações agrícolas do Mercosul, de forma a proteger os agricultores da União Europeia.
PUB