Adeptos do Falun Gong manifestam-se em Washington antes visita de Hu

Adeptos do movimento espiritual chinês Falun Gong, proibido na China sob a acusação de seita perigosa, manifestaram-se hoje em Washington, perto da Casa Branca, onde quinta- feira é recebido por George W. Bush o presidente chinês, Hu Jintao.

Agência LUSA /

Cerca de 700 pessoas concentraram-se numa praça do centro de Washington, denunciando a repressão de que os adeptos do movimento são vítimas na China.

As faixas mostravam as palavras de ordem "campos de concentração chineses, um matadouro para a recolha de órgãos" ou "Parem o assassínio selvagem de adeptos do Falun Gong na China".

Segundo um manifestante, David Liang, um australiano, a manifestação serve "para levar o público a tomar consciência" da existência de uma recolha ilegal de órgãos feita pelas autoridades chinesas aos prisioneiros detidos por pertencerem ao Falun Gong, "quando as pessoas estão ainda vivas".

Segundo disse, existirão na China 36 campos de concentração onde são retirados órgãos vendidos depois pelo Governo, na China e no estrangeiro.

Pequim, que proibiu o movimento em 1999, desmente as acusações de tortura lançadas pelo Falun Gong, que organiza regularmente manifestações nas cidades no estrangeiro onde se desloca o presidente chinês.

O Falun Gong, cujo mestre espiritual, Li Hongzi, vive nos Estados Unidos, apresenta-se como uma escola de qijong, ginástica tradicional chinesa onde se misturam exercícios corporais e meditação.

A repressão de que os seus adeptos são vítimas na China suscitou no Ocidente um vasto sentimento de revolta e foi condenado por organizações não-governamentais como a Amnistia Internacional ou a Human Rights Watch.

Os movimentos de luta anti-sectárias não qualificam o Falun Gong de seita, mas sublinham, contudo, que a submissão do mestre e a valorização da purificação do sofrimento dá ao Falun Gong um discurso com uma tónica apocalíptica.

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