ADI admite "empate técnico" de 24 mandatos com o MLSTP
O primeiro-ministro são-tomense e líder da Ação Democrática Independente (ADI) admitiu hoje um empate técnico de 24 mandatos com o MLSTP, e disse estar à frente deste partido, que reivindicou estar perto da maioria absoluta nas legislativas de domingo.
Sem declarar vitória, o atual primeiro-ministro são-tomense, admitiu estar à frente, sustentando que os dados da Comissão Eleitoral Nacional (CEN) condizem com os do partido, segundo os quais "há um empate técnico".
Segundo a CEN, dos quase 150 mil eleitores inscritos, só foram contabilizados 47.203 votos válidos, com o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) a garantir 17.551 e a ADI 17.184.
Em conferência de imprensa para divulgar os resultados preliminares, o presidente da CEN, Jeudiger do Nascimento, recusou avançar o número de mandatos conquistados pelos partidos nos respetivos círculos eleitorais, afirmando que esta é uma competência do Tribunal Constitucional (TC).
Um par de horas antes, o líder do MLSTP Américo Barros já declarara vitória com mais de 26 mandatos, e anunciou para o início da tarde uma passeata nas ruas da capital para celebrar a conquista, 24 anos depois de ter sido a formação política mais votada numas legislativas.
No entanto, o presidente da ADI, rejeitou clivagem entre os dois partidos e defendeu que deve-se aguardar pelos resultados oficiais.
"Isso não é motivo de haver alguma clivagem, porque é um processo que culminará realmente com o vencedor indicado", defendeu Américo Ramos sem descartou a possibilidade de coligação com outra força política para formar Governo.
"Não tendo obtido nenhuma maioria absoluta, é claro que tudo está em cima da mesa", declarou.
O líder da ADI mostrou-se satisfeito com os resultados alcançados pelo partido, sustentando-se na crise e "quase divisão interna" do partido nos últimos meses antes das eleições e reforçada com um apelo à abstenção por parte do ex-primeiro-ministro e ex-presidente da ADI, Patrice Trovoada.
"Esse resultado também tem a ver muito com o apelo à abstenção que foi feita que infelizmente afetou os resultados dessas eleições (...) o ADI saiu de um conflito interno bastante intenso, que quase dividiu o partido. Meses depois, ir para umas eleições e ter esse número de deputados, para mim, representa um bom resultado", declarou.
Contrariamente ao anunciado pelo líder do MLSTP, Américo Ramos negou ter felicitado o seu adversário pela alegada vitória, tendo admitido que, enquanto primeiro-ministro, contactou e felicitou todos os líderes partidários pela forma como decorreram as eleições, independentemente dos resultados obtidos.
"Até porque eu não podia fazê-lo, porque nós ainda não tínhamos dados definitivos. Então, estaria também a cometer algum erro, felicitando pela vitória", justificou.
O presidente do MLSTP declarou-se vencedor das eleições legislativas de domingo com mais de 26 lugares eleitos e prometeu não dececionar o povo, aguardando o anúncio oficial e transparente dos resultados.
Nas legislativas, concorreram quatro partidos com assento parlamentar: Ação Democrática Independente (ADI); Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP); a coligação Movimento de Cidadão Independentes/Partido de Unidade Nacional (MCI-PUN); e o Movimento Basta.
E outros três partidos sem assento parlamentar: o Partido de Convergência Democrática (PCD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM) e o recém-criado Movimento Político Nossa Terra.
Em disputa estavam 55 assentos da Assembleia Nacional e quase 150 mil eleitores encontravam-se inscritos, mais quatro mil em relação às eleições presidenciais de 19 de julho, quando foi reeleito Carlos Vila Nova, à primeira volta.