Administração Trump. Sucessão de escândalos precipita saída de Scott Pruitt

O Presidente norte-americano anunciou na última quinta-feira a demissão do dirigente da Agência de Proteção de Ambiente. Scott Pruitt é mais uma baixa na equipa de Donald Trump, depois da abertura de diversas investigações e casos problemáticos desde que tomou posse, em 2017. O antigo “ministro” do Ambiente de Trump está envolvido em vários conflitos étnicos e é suspeito de se ter aproveitado das suas funções para benefício próprio.

RTP /
Ex-responsável pela Agência de Proteção do Ambiente justifica a demissão com os “ataques implacáveis, sem precedentes” de que foi alvo Al Drago - Reuters

É o culminar de vários meses de polémicas e escândalos que envolveram o principal dirigente da Agência de Proteção do Ambiente (EPA, na sigla em inglês). Scott Pruitt chegou à Administração de Donald Trump com a missão de destruir o legado deixado pelo anterior Presidente, Barack Obama, e abandona agora o posto depois devido a vários problemas éticos e de alegado uso indevido de fundos públicos. 

O anúncio chegou na quinta-feira através do Twitter de Donald Trump. “Aceitei a demissão de Scott Pruitt do seu posto de dirigente da Agência de Proteção de Ambiente”, escreveu o Presidente, que saudou ainda o “trabalho excecional” do seu responsável pela área ambiental, antigo procurador-geral do Estado do Oklahoma, muito próximo da indústria petrolífera.


Na mesma mensagem, Donald Trump adiantou que Andrew Wheeler, um antigo empresário na área do carvão e considerou o impacto entre a atividade humana e o aquecimento global é desconhecida.  

Em 2016, o antigo lobista assumia-se como crítico do então candidato republicano, Donald Trump, considerando-o um “bully” que não conseguiu alcançar sucesso considerável ao longo da sua carreira de empresário.   

“Não tenho dúvidas que Andy [Andrew Wheeler] vai continuar com a nossa grande agenda na EPA. Fizemos um progresso tremendo e o futuro da EPA é brilhante!”, escreveu Trump.  

Nesta sequência de tweets, o Presidente norte-americano não explica as razões que motivaram o pedido de demissão, mas sabe-se há muito que a conduta do ex-responsável era incómoda nos corredores da Casa Branca. No entanto, na sua carta de demissão, Scott Pruitt justifica-se apenas com os “ataques implacáveis, sem precedentes” contra si e contra a família que causaram “danos consideráveis”. 
Meses de polémica
A missiva enviada a Donald Trump faz vários elogios à “coragem, firmeza e compromisso” da Administração norte-americana e louva os resultados ambientais obtidos desde que tomou posse, mas omissa sobre os vários inquéritos em que é visado. No início de julho, a agência France-Presse escrevia que “a lista de casos problemáticos apontados a Pruitt (…) é demasiado longa para incluir num artigo”. 

Estas suspeitas, algumas sob investigação da Câmara dos Representantes, serviços federais independentes e da própria Agência de Proteção do Ambiente, incluem sobretudo despesas de viagens excessivas, geralmente em primeira classe ou em aviões fretados, ou o reforço do número de guarda-costas que acompanhavam o ex-responsável, nos Estados Unidos e no estrangeiro que praticamente triplicou o número dos seguranças dos seus antecessores.  

Scott Pruitt é ainda suspeito de se aproveitar de alguns membros do seu gabinete, tratando-os como autênticos assistentes pessoais a quem pedia que lhe arranjassem um apartamento ou ajudar a mulher a encontrar emprego.  

O antigo procurador exigiu ainda a instalação de uma cabina telefónica nos seus escritórios em Washington que custaram um total de 43 mil dólares (37 mil euros).

No ano passado, Pruitt pagou 50 dólares por noite para morar num condomínio em Washington, propriedade da esposa de J. Steven Hart, um lobista da área da energia que procurou obter benefícios junto da EPA durante esse tempo.   

Desde que tomou posse, em fevereiro de 2017, Scott Pruitt puniu vários subordinados “desleais” ou que levantassem questões sobre a sua conduta e forma de agir, e que entretanto contaram à imprensa norte-americana o que se passou. Nos Estados Unidos, esta agência dedicada à proteção do ambiente conta com 14.100 trabalhadores.  

Perante as várias polémicas vindas a público, alguns nomes de destaque do Partido Republicano davam sinais de exasperação para com o comportamento do responsável, incluindo personalidades próximas de Donald Trump.  

O Presidente nunca deixou totalmente de apoiar o seu ministro, fiel na luta contra as regulamentações ambientais impostas por Administrações anteriores e uma das principais figuras que levou à retirada pelos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas, assinado em 2015.  

No entanto, até o próprio Donald Trump reconheceu, a 15 de junho, que apesar do “trabalho fantástico” de Scott Pruitt, a sua situação era cada vez mais complicada. “Vou ser honesto. Não estou contente com algumas coisas”, referiu.  

Já esta semana, na última terça-feira, o porta-voz da Casa Branca, Hogan Gidley, confirmava aos jornalistas que a Administração estava “ao corrente das numerosas informações e o Presidente está a considera-las”. 

c/ Lusa
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