Adolescente perde mão em explosão durante protestos estudantis em França

Adolescente perde mão em explosão durante protestos estudantis em França

Os protestos estudantis, que começaram em meados de setembro nos arredores de Paris, ganharam força nos últimos dias e alastraram a outros locais de França. Já foram detidas milhares de pessoas, a maioria menores de idade.

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Eric Baradat - Reuters

Um adolescente de 15 anos perdeu a mão esta segunda-feira, no norte de França, durante um confronto entre manifestantes do ensino secundário e a polícia de intervenção.

O incidente, confirmado pelas autoridades locais, aconteceu na véspera de uma manifestação nacional organizada pelo sindicato dos alunos contra o subfinanciamento, a sobrelotação e a degradação das instalações.

Segundo o jornal regional La Voix du Nord, o jovem de 15 anos perdeu a mão e parte do antebraço depois de apanhar uma granada de atordoamento da polícia que detonou na cidade de ⁠Lens.

François-Xavier Lauch, autarca de Pas-de-Calais, recusou-se a comentar as circunstâncias exatas do incidente, afirmando que cerca de 200 a 250 manifestantes tinham estado a arremessar objetos contra a polícia.

A seis meses das eleições para substituir o presidente Emmanuel Macron, o Governo e o partido de extrema-direita "Rallye Nacional", liderado por Marine Le Pen, têm acusado os deputados e presidentes de Câmara de extrema-esquerda do partido "França Indomável" (LFI) de alimentar os protestos.

O LFI, liderado pelo candidato presidencial Jean-Luc Melenchon, nega ter encorajado a violência e acusa o Governo de politizar a questão e de negligenciar os interesses dos alunos.Outro jovem sofreu lesão ocular
Grupos de defesa dos Direitos Humanos acusam a polícia de excesso de violência contra menores, incluindo o uso de bastões, gás lacrimogéneo e balas de borracha.

Entre várias investigações sobre os métodos policiais, as autoridades estão a analisar o caso de um jovem de 16 anos que sofreu uma lesão ocular depois de a polícia ter alegadamente disparado balas de borracha contra uma multidão de manifestantes.

Cerca de 400 a 500 escolas secundárias foram total ou parcialmente encerradas esta segunda-feira, numa altura em que as manifestações e os bloqueios não davam sinais de abrandar antes do protesto nacional marcado para terça-feira. O ministro da Educação, Edouard Geffray, afirmou que 24 escolas foram incendiadas ou saqueadas e que 78 membros do corpo docente foram intencionalmente feridos nas manifestações.

"A nossa prioridade é restabelecer a ordem", afirmou a porta-voz do Governo, Maud Brégeon, à estação CNews.

A responsável adiantou ainda que o Executivo iria acelerar a tramitação de um projeto de lei, a 27 de outubro, para tornar os jovens que tenham causado danos materiais, ou os seus pais, financeiramente responsáveis.

Desde a última segunda-feira, cerca de 5.000 pessoas, 85 por cento das quais adolescentes, foram detidas e dezenas ficaram feridas. Professores e cidadãos foram ⁠agredidos, enquanto os danos materiais estão estimados em milhões de euros.

c/ agências
PUB