Aeronáutica colombiana confirma falta de combustível no avião da Chapecoense

O piloto do avião que se despenhou na terça-feira pediu por várias vezes para aterrar com urgência, afirmando que o aparelho estava a ficar sem combustível. A gravação das comunicações entre o voo 933 e a torre de controlo confirma a falta de combustível na aeronave. A investigação prossegue, bem como as homenagens. Na quarta-feira foi dia de cerimónia no estádio onde a Chapecoense deveria ter jogado.

RTP /
Fredy Builes - Reuters

Além das gravações, foram reveladas por um canal de televisão boliviano novas imagens do momento do embarque. Gravada momentos antes de o avião partir de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, em direção à Colômbia, a reportagem mostra o ânimo da equipa de futebol e da tripulação, incluindo o piloto.

Reportagem de Pedro Oliveira Pinto

A bordo são mesmo feitos elogios à companhia aérea Lamia por membros da equipa técnica da Chapecoense. O próprio piloto Miguel Quiroga também fala para as câmaras.

Já perto do aeroporto de Medellín, o piloto entra em contacto com a torre de controlo a reportar uma falta de combustível. Este áudio também foi divulgado.
Falta de combustível
No contacto com o aeroporto, o piloto pede autorização para se aproximar da pista. Nessa altura, no início da gravação, a controladora estava a dar prioridade a um avião da Viva Colômbia, igualmente com problemas.Falta de combustível

A escassez de combustível é considerada uma desobediência grave. O piloto poderá ter declarado emergência tarde demais, para evitar uma eventual multa pesada.


Assim que se apercebe da gravidade da situação, a controladora decide desviar outros dois aviões comerciais que estavam a aproximar-se do aeroporto, para que a aeronave da equipa de futebol pudesse aterrar.

A agência de aviação civil da Colômbia já apresentou as primeiras conclusões e confirma-se a falta de combustível. A escassez de combustível é considerada uma desobediência grave. O piloto poderá ter declarado emergência tarde demais, para evitar uma eventual multa pesada.

Dos iniciais seis sobreviventes, o guarda-redes Danilo acabou por morrer no hospital. De momento, só os dois tripulantes bolivianos não correm risco de vida. Alan Roushell, jogador, tem graves lesões na coluna.

As autoridades colombianas contam que termine esta quinta-feira o processo de identificação dos corpos.
Homenagem mundo fora
Na Colômbia decorreu uma homenagem à Chapecoense. À hora em que deveria ter tido início a final mais sonhada da equipa de Chapecó, os adeptos do rival encheram as bancadas mas só puxaram pelo adversário. Gritaram durante longos minutos: “Vamos, Vamos Chapé!”.

Reportagem de Ana Felício e José Luís Carvalho

As imagens que cruzam o interior com o exterior do estádio são as mais impressionantes. Quarenta e seis mil lá dentro, outros tantos milhares em redor. Foram todos Chapecoense porque, como estava escrito numa tarja, o futebol não tem fronteiras.

No Brasil, à mesma hora, havia um estádio em lágrimas. Em Chapecó, a tristeza de familiares e amigos dos que morreram no sítio onde antes tinham partilhado momentos de alegria, no relvado e à volta dele.

O desastre aéreo de Medellín provocou a morte a 71 pessoas, dizimando a equipa de futebol da Chapecoense. Caio Júnior era o treinador da equipa e também seguia no voo 933 da Lamia.

Reportagem de Paulo Moreira e Luiz Flores

Caio jogou vários anos em Portugal, tendo vestido a camisola do Estrela da Amadora, Belenenses e Vitória de Guimarães.

As investigações à queda do voo da Lamia continuam. Uma equipa do Brasil já chegou à Colômbia para participar nas operações. A Bolívia – país onde a companhia aérea se encontra sediada – já anunciou que o Reino Unido vai enviar investigadores para ajudar a averiguar as circunstâncias do acidente.
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