Aeroporto de Timor-Leste pode passar para Baucau e porto comercial para Liquiça

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Timor-Leste beneficiará de grandes transformações urbanísticas nos próximos 10 a 15 anos, de acordo com os resultados da discussão pública dos planos de urbanização de Díli e Baucau, elaborados por uma equipa multidisciplinar e com apoio da Cooperação Portuguesa.

As principais alterações, com reflexo na distribuição espacial e construção de equipamentos urbanos, assenta na saída do porto comercial, actualmente edificado no centro de Díli, e na aposta do futuro aeroporto internacional para Baucau, a segunda cidade mais importante do país.

O porto comercial deverá ser edificado em Liqiça, a 42 quilómetros a oeste de Díli.

A antevisão do que será Timor-Leste entre 2015 e 2020 foi apresentada terça-feira e quarta-feira em Díli pela equipa do GERTiL - Grupo de Estudos de Reconstrução de Timor-Leste, da Universidade Técnica de Lisboa, coordenada pela professora catedrática Maria Clara Mendes, da Faculdade de Arquitectura de Lisboa.

Os planos de urbanização de Díli e Baucau foram apresentados e colocados a discussão pública, com as propostas de alteração suscitadas a deverem agora ser integradas no relatório final, que será apresentado em Abril ao Governo timorense.

"Durante os dois dias de debates, com grande participação dos agentes políticos e económicos timorenses, foram suscitadas ideias que envolvem grandes investimentos públicos e forte poder de decisão", salientou Maria Clara Mendes à Agência Lusa.

"Em Novembro fizemos um relatório preliminar com diagnósticos, potencialidades e tendências e agora apresentámos dois cenários. O que se segue é a elaboração das propostas finais e depois as autoridades timorenses decidirão se aprovam ou não e passa à execução", acrescentou.

A ministra das Obras Públicas de Timor-Leste, Odete Victor, destacou na sessão de encerramento a importância do trabalho efectuado pelo GERTiL, num projecto a que se associou o Instituto Superior Técnico de Lisboa e que foi financiado pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD).

"Estes planos são muito importantes, competindo agora ao Governo procurar os fundos necessários para a sua execução", frisou.

O traço português nos planos de urbanização das duas principais cidades de Timor-Leste, Díli e Baucau, começou a ser delineado em Julho de 2005, com a inventariação dos edifícios e equipamentos urbanos, seguindo-se, quatro meses depois, a apresentação do relatório preliminar.

O estudo, então entregue formalmente ao Governo de Timor- Leste, contou na elaboração com a participação de arquitectos, agrónomos, juristas e engenheiros portugueses em parceria com finalistas timorenses dos cursos superiores de Ciências Agrárias e de Engenharia, da Universidade Nacional de Timor LoroSae, sob coordenação do GERTiL.

Com o estudo foi ainda entregue o Sistema de Informação Geográfica, que contém todos os dados integrados nesta primeira fase, e que permitirá às autoridades timorenses gerir toda a informação relativa a Díli.

Em Novembro, aquando da entrega do relatório preliminar, o primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, garantiu que as autoridades utilizariam todos os meios ao seu alcance para assegurar a reconstrução de Díli, retirando-lhe o carácter anárquico e de elevada densidade populacional que caracterizam actualmente a capital de Timor- Leste.

"Vamos intervir em força. Serão medidas drásticas mas necessárias para corrigir o que ainda pode ser corrigido", sustentou.

Para inverter a tendência iniciada a partir de 1974, com a invasão indonésia, e acentuada de forma dramática em 1999, com o rasto de destruição deixado à saída pelos militares indonésios, Mari Alkatiri acredita que somente medidas drásticas permitirão devolver à capital a beleza e a capacidade de ser a "porta de entrada" para investimentos no país.

Essas "medidas drásticas", contudo, não representam a expulsão forçada dos que vivem em Díli, actualmente com cerca de 160 mil habitantes.

A alternativa - defendeu então em declarações à Lusa - passa pela criação de incentivos que permitam às centenas de milhares de pessoas, obrigadas em Setembro de 1999 ao êxodo para a parte indonésia da ilha de Timor e que depois retornaram, regressar às áreas de origem, no interior, estancando a progressiva deterioração das condições de vida nas cidades.

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