AfD enche praça de Schwerin no encerramento de campanha eleitoral

AfD enche praça de Schwerin no encerramento de campanha eleitoral

Mais de um milhar de apoiantes da Alternativa para a Alemanha (AfD) encheram hoje a praça principal no centro histórico de Schwerin, no comício de encerramento das eleições estaduais de domingo em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Sob fortes medidas de segurança, os apoiantes da AfD foram-se dirigindo para a Marketplatz, no coração desta pequena localidade com pouco mais de 90 mil habitantes que é a capital deste estado da antiga RDA, e, à hora do início do comício -- 16:00 locais --, a praça já estava cheia de um público entusiasta, que agitava bandeiras do partido de extrema-direita, mas sobretudo da Alemanha.

No local, dezenas de polícias controlavam os cinco acessos à praça, vedados com barreiras metálicas, por receio da infiltração de contra-manifestantes, dado o movimento Antifa (antifascista) também estar muito presente na cidade -- são inúmeros os autocolantes contra a extrema-direita, e a AfD em particular, que decoram os postes de iluminação de Schewrin --, enquanto nas ruas circundantes várias carrinhas das forças de intervenção estavam discretamente a postos para a eventualidade de qualquer incidente.

Nas eleições mais polarizadas de sempre no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, com AfD e SPD (socialistas, centro-esquerda) a disputarem, `taco a taco` a vitória, de acordo com as sondagens, a AfD surge motivada pela estrondosa vitória obtida há duas semanas na Saxónia-Anhlat, sendo visível também o entusiasmo entre os seus apoiantes, menos tímidos do que em anteriores campanhas.

No palco montado na praça, rodeado de bancas onde era distribuído material de campanha da AfD e bandeirolas alemãs e do partido, Petra Federau e Leif-Erik Holm, as duas cabeças de cartaz do partido na cidade, como candidatos diretos por Schwerin, foram recebidos com forte entusiasmo, apelando ao voto dos habituais abstencionistas e dando a Saxónia-Anhalt como exemplo de que o partido pode chegar ao poder.

Entre os apoiantes era possível ver muitos jovens, casos de Lucien e Phillip, dois amigos de 17 anos que já poderão votar nas eleições de domingo -- pela primeira vez é possível votar neste estado a partir dos 16 anos -- e que revelaram à Lusa que vão dar o seu primeiro voto à AfD, sobretudo "por causa do preço dos combustíveis e porque o partido promete baixar os impostos".

Questionados sobre a posição daqueles que defendem que a AfD é uma ameaça à democracia, respondem que não concordam e dizem que "basta ver o programa" do partido.

Também uma jovem apoiante -- que, como muitos votantes da AfD, ainda prefere manter o anonimato e identifica-se como `Shakira` -- rejeita o rótulo de partido radical de extrema-direita.

Ajudada pelo namorado a traduzir para inglês a definição que ambos dão à AfD, `Shakira` olha para a tradução automática no telemóvel do parceiro e responde de forma convincente que o partido é "patriota de direita, e apenas isso".

Quanto às razões para votar AfD, diz que "a situação na Alemanha não é nada boa", designadamente a nível de "segurança, educação e preços da energia".

Ainda mais jovens e sem poderem ainda votar, Helene e Klara, ambas de 15 anos, revelam à Lusa que não vão, de todo, votar AfD, justificando a sua presença no comício pela "curiosidade de ver o apoio" a este partido de direita radical em Schwerin.

"Sim, temos medo. E, ao ver esta gente toda, ainda ficamos com mais medo", confidencia Helene.

As duas adolescentes eram, contudo, a exceção num evento que demonstrou o entusiasmo em torno da AfD na véspera das eleições, que disputará numa luta a dois com o SPD, atualmente no poder em coligação com a Esquerda, sendo praticamente certo que mais do que duplicará a votação face às anteriores eleições de 2021, quando obteve em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental 16,7% dos votos, já que as sondagens apontam para um resultado entre os 36 e os 38%.

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