Afeganistão. Trump diz que podia acabar com a guerra “numa semana”

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou esta segunda-feira, durante uma conversa com o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, que podia vencer a guerra no Afeganistão “numa semana”. Contudo, acrescentou Trump, não quer “matar dez milhões de pessoas”.

RTP /
Primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, aperta a mão a Donald Trump durante as conversações desta segunda-feira, na Casa Branca, em Washington DC. Reuters - Jonathan Ernst

A guerra com o Afeganistão já dura desde 2001, mas Trump assegura que podia acabar “numa semana”. Sentado ao lado do primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, num encontro na Casa Branca, Donald Trump disse que bastava querer para erradicar o Afeganistão do mapa.

“Se o quiséssemos fazer, eu venceria essa guerra. O Afeganistão desaparecia da face da Terra e estava acabado em, literalmente, dez dias. Mas não quero matar dez milhões de pessoas. Não quero ir por esse caminho”, referiu o Presidente norte-americano.

Sem intenções de recorrer às forças militares para tomar medidas drásticas e acabar, de vez, com esta guerra, Trump assume que a resposta pode estar mais perto do que se pensa. “O Paquistão vai ajudar-nos a desembaraçarmo-nos”, afirmou o Presidente dos Estados Unidos.

“O Paquistão tem feito esforços para facilitar as negociações de paz no Afeganistão, e vamos pedir-lhes que façam mais”, acrescentou.

Neste momento, a influência dos paquistaneses sobre os talibãs pode ser fundamental para encorajar o grupo militante a estabelecer um acordo de paz com os Estados Unidos.

"Esperamos que nos próximos dias possamos pedir aos talibãs que falem com o Governo afegão", afirmou o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan.
A relação entre o Paquistão e os Estados Unidos
“O caminho para uma relação forte e duradoura entre o Paquistão e os Estados Unidos assenta num trabalho comum para encontrar uma solução pacífica para o conflito no Afeganistão”, lê-se num comunicado oficial da Casa Branca.

Uma parceria estratégica muito forte e uma relação de amizade permite a estas duas potências – Paquistão e Estados Unidos - estabelecer uma ligação, quase que inabalável, desde o século passado.

Atualmente, o Paquistão “ajuda muito” nas intermediações para estabelecer a paz no Afeganistão e, em troca, recorre aos recursos monetários e militares dos Estados Unidos.

Porém, no início do ano passado, Trump sentiu-se enganado pelo Governo paquistanês e decidiu cortar este financiamento.

“Demos ao Paquistão mais de 33 mil milhões de dólares em ajuda nos últimos 15 anos e eles só nos deram mentiras de volta, pensando nos nossos líderes como idiotas”, escreveu na altura o Presidente norte-americano, no Twitter.


“O problema é que o Paquistão não estava a fazer nada por nós. Era uma situação subversiva”, acrescentou.

Ainda assim, fontes oficiais norte-americanas revelaram que "a porta está aberta para reparar relações e construir um relacionamento duradouro”. Esse financiamento “pode voltar agora”.

Durante a conversa desta segunda-feira, o Presidente dos Estados Unidos disse que a ajuda de 1.3 mil milhões de dólares - cerca de 1.1 mil milhões de euros – pode ser restaurada “dependendo de como as coisas vão correr”.

“Para ser honesto, acho que temos agora uma relação melhor com o Paquistão do que quando estávamos a pagar esse dinheiro”, revelou Trump.
“Se eu puder ajudar, adoraria ser um mediador”

 

Dividida entre a Índia, o Paquistão e a China, a região de Caxemira, localizada no extremo noroeste do subcontinente indiano, continua a ser o foco de tensão entre duas potências nucleares: Índia e Paquistão.

Após vários anos de conflitos junto a uma das fronteiras mais militarizadas do mundo, Trump oferece-se para acabar com a tensão militar criada à volta desta região e mediar a disputa de Caxemira.

“Se eu puder ajudar, adoraria ser um mediador. Não dá para acreditar que dois países incríveis, que são muito, muito inteligentes e têm lideranças muito inteligentes, não consigam resolver um problema como esse. Se quiser que eu medeie ou arbitre, estou disposto a fazê-lo”, afirmou o Presidente norte-americano.

O pedido foi sugerido pelo primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, numa conversa na Sala Oval, da Casa Branca.

O Presidente norte-americano vai ter “as orações de mais de mil milhões de pessoas se puder mediar ou resolver este problema”, assegurou Imran Khan.

Trump alegou que o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, já tinha feito um pedido semelhante, mas o Governo indiano já desmentiu essa alegação. 


Nenhum pedido desse tipo foi feito ao Presidente dos EUA”, lê-se num tweet publicado pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia, Raveesh Kumar.

“A Índia tem tido uma posição consistente de que todas as questões pendentes com o Paquistão são discutidas apenas unilateralmente”, concluiu Kumar.
Tópicos
PUB