África concentra 95% dos casos mundiais e 96% das mortes por malária diz UA
África continua a concentrar 95% dos casos e 96% das mortes por malária no mundo e a Guiné Equatorial pode ser a próxima nação a declarar-se livre da doença, anunciou hoje a União Africana.
"Esperávamos uma diminuição significativa dos casos e aspirávamos à eliminação até 2030, no entanto a tendência atual é de aumento", afirmou o diretor-geral dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças de África (CDC África), Jean Kaseya, numa conferência `online`.
Segundo Kaseya, os CDC África adotaram medidas como a produção local de testes de diagnóstico, vacinas e redes mosquiteiras tratadas com inseticida. Reforçaram também a capacidade de diagnóstico e vigilância e implementaram um mecanismo de compras conjuntas para garantir que todos os Estados-membros têm acesso a produtos contra a malária.
"No entanto, existem desafios como a resistência aos medicamentos e aos inseticidas, bem como as alterações climáticas, que estão a expandir as zonas afetadas", acrescentou Kaseya.
Os grupos mais vulneráveis continuam a ser as crianças com menos de cinco anos e as mulheres grávidas.
Atualmente, apenas nove dos 55 países africanos estão livres de malária e prevê-se que a Guiné Equatorial, Estado-membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), seja o próximo, antes de 2030.
O ministro da Saúde da Guiné Equatorial, Mitoha Ondo`o Ayekaba, anunciou hoje que o plano sanitário "Visão 2030", destinado a erradicar a malária no país, entrou na sua segunda fase e irá combinar vacinas, vigilância, reforço científico e um novo laboratório com padrões continentais.
"A primeira fase reduziu drasticamente a malária. A segunda fase procurará interromper a transmissão a nível nacional, incluindo a ilha de Bioko (norte), Annobón (sul) e a região continental", afirmou o ministro na conferência de imprensa `online` dos CDC África.
"Para o período 2026-2030 estão assegurados 116 milhões de dólares [cerca de 107 milhões de euros]. O Governo da Guiné Equatorial contribui com 52 milhões [cerca de 48 milhões de euros], enquanto os parceiros aportam 64 milhões [cerca de 59 milhões de euros]", acrescentou.
De acordo com Ayekaba, a Guiné Equatorial conseguiu reduzir em 75% a prevalência da doença entre crianças, diminuir a mortalidade em menores de cinco anos em 78% e eliminar duas das principais espécies de mosquitos vetores.
Entre as metas do plano estão manter a prevalência nacional abaixo dos 5% antes de 2028, alcançar zero transmissões autóctones nos distritos-alvo e assegurar uma cobertura eficaz de tratamento superior a 90%.
Cabo Verde e o Egito foram os mais recentes países africanos a serem certificados como livres de malária, em 2024.
Na lista constam ainda a Argélia, Lesoto, Seicheles, Líbia, Tunísia, Marrocos e Maurícia, que foi o primeiro país do continente a obter essa certificação, em 1973.
A malária é endémica na África subsaariana, sobretudo em zonas com temperaturas elevadas e precipitação abundante, condições ideais para a proliferação do mosquito Anopheles, transmissor do parasita.
A região central do continente, a norte e a sul do equador, apresenta a maior incidência, influenciada pelo clima tropical, pelos deslocamentos populacionais e pelas dificuldades de acesso a medidas preventivas.
Embora a África Austral seja comparativamente menos afetada, continua altamente vulnerável devido às condições climáticas, aos movimentos transfronteiriços de população e a surtos localizados em áreas de elevado risco, alertou a União Africana.