África do Sul diz que embaixador dos EUA admitiu que "passou dos limites"
A África do Sul disse hoje que o embaixador dos Estados Unidos da América (EUA) em Pretória admitiu que "passou dos limites", manifestando "total desagrado" com a conduta do diplomata que acusou o Governo de fornecer armamento à Rússia.
O Governo sul-africano referiu que após uma reunião com a chefe da diplomacia Naledi Pandor, em Pretória, o embaixador norte-americano, Reuben Brigety, "admitiu que passou dos limites e pediu desculpas sem reservas ao Governo e ao povo da África do Sul".
Em comunicado, a que a Lusa teve acesso, o Ministério das Relações Internacionais e Cooperação sul-africano considerou que "o comportamento do embaixador dos EUA na África do Sul é intrigante e em desacordo com o relacionamento mutuamente benéfico e cordial que existe entre os Estados Unidos da América e a África do Sul".
Na quinta-feira, o embaixador dos Estados Unidos em Pretória acusou a África do Sul de fornecer apoio militar à Rússia, apesar da sua declarada neutralidade no conflito com a Ucrânia.
De acordo com Reuben Brigety, que falava num encontro com os meios de comunicação social locais, os EUA estão convencidos de que "armas e munições foram carregadas" a bordo de um cargueiro russo, que atracou na base naval de Simon`s Town, perto da Cidade do Cabo, no início de dezembro "antes de partir para a Rússia".
Na altura, o principal partido da oposição da África do Sul, a Aliança Democrática (DA, na sigla em inglês), pediu ao Governo que explicasse como é que um cargueiro russo, alvo de sanções ocidentais, foi autorizado a atracar num porto do país.
Pretória sublinhou hoje que a África do Sul é "conhecida mundialmente" por ter um dos processos "mais rigorosos" na venda de armas a outros países.
"O processo é administrado pelo Comité da Convenção Nacional de Controle de Armamento (NCACC), que foi criado através de uma lei do parlamento, a Lei Nacional de Controle de Armas Convencionais 41 de 2002 (Lei NCAC) e da Constituição", salientou.
O Governo sul-africano anunciou que o Presidente da República, Cyril Ramaphosa, decidiu instaurar um inquérito, presidido por um juiz aposentado, para investigar as alegações feitas pelo embaixador dos EUA na África do Sul.
Pretória apelou também hoje à embaixada dos EUA no país para "usar os canais diplomáticos de comunicação estabelecidos para transmitir quaisquer preocupações ou procurar esclarecimentos sobre quaisquer mal-entendidos que possam surgir no relacionamento bilateral".