África do Sul proibe reprodução de caricaturas de Maomé
Um tribunal sul-africano proibiu a publicação das caricaturas de Maomé na imprensa, informou hoje a organização muçulmana que tinha solicitado esta proibição.
Numa decisão tomada sexta-feira à noite, o Tribunal Supremo de Joanesburgo proibiu aos principais grupos de imprensa sul-africanos a publicação das controversas caricaturas, anunciou à imprensa Ebrahim Bham, porta-voz do Conselho dos Teólogos Muçulmanos.
"Recorremos à justiça porque estes desenhos e estas caricaturas do profeta Maomé ferem os muçulmanos de todo o mundo", justificou Bham.
"Ofenderam a sensibilidade religiosa dos muçulmanos. Nós, por conseguinte, decidimos levar a cabo todas as acções possíveis para evitar que este tipo de coisa chegue à África do Sul", explicou.
O editor chefe do Sunday Times, Mondli Makhanya, indicou que o seu jornal, que foi contactado pela organização muçulmana sobre este assunto, tem intenção de contestar a decisão judicial.
"Consideramos que se trata de uma séria infracção à liberdade de imprensa", declarou Makhanya.
Na Jordânia, o chefe de redacção do semanário Shihane, que publicou as controversas caricaturas do profeta do Islão, foi detido hoje, estando o jornal a ser objecto de inquérito judicial.
Em França, o diário Le Mundo publicou hoje, na sua edição relativa a domingo e segunda-feira, duas das 12 caricaturas, cuja publicação em 30 de Setembro pelo diário dinamarquês Jyllands-Posten, sob o título "os rostos de Maomé", está a provocar uma controvérsia no mundo islâmico.
Entretanto, a Comissão Europeia (CE) pediu às autoridades palestinianas para assegurarem uma adequada protecção dos edifícios da sua representação em Gaza, na sequência dos incidentes ocorridos hoje de manhã, quando manifestantes atacaram a sede da CE e substituíram a bandeira europeia pela palestiniana.
O executivo da Comissão Europeia lamentou "profundamente" que os europeus que "estão a trabalhar para proporcionar uma melhor vida aos palestinianos sejam objecto deste tipo de ataques".
O Vaticano declarou, entretanto, que a liberdade de expressão não legitima ofensas a convicções religiosas, referindo-se à polémica provocada pela publicação de caricaturas de Maomé.
"A coabitação dos homens exige um clima de respeito mútuo para favorecer a paz entre os homens e entre as nações", disse o porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls, comentando pela primeira vez o assunto.
O direito à liberdade de expressão não implica "o direito de ferir os sentimentos religiosos dos crentes", acrescentou em comunicado hoje divulgado.