África do Sul rejeita oposição dos Estados Unidos a uma declaração conjunta na cimeira do G20
O governo sul-africano rejeitou hoje uma posição dos Estados Unidos que negava a Pretória a possibilidade de invocar um "consenso" no final da cimeira do G20 deste fim de semana, em Joanesburgo, onde aquele país não estará presente.
A embaixada dos Estados Unidos em Pretória enviou uma nota diplomática, datada de 15 de novembro, recordando que Washington não participaria na cimeira de 22 e 23 de novembro em Joanesburgo, segundo várias fontes governamentais consultadas pela agência de notícias francesa AFP, confirmando informações da imprensa.
A nota especifica que, na ausência dos Estados Unidos na cimeira, a presidência sul-africana do G20 não pode reivindicar um consenso do grupo numa declaração final.
"As prioridades da África do Sul para o G20 vão contra as posições políticas dos Estados Unidos e não podemos apoiar um consenso sobre os documentos negociados sob a vossa presidência", indica a nota consultada pela AFP.
O presidente americano Donald Trump, desde o seu regresso à Casa Branca, multiplicou os ataques contra o governo sul-africano, invocando uma alegada perseguição aos `afrikaners`, os descendentes dos primeiros colonos europeus. E anunciou no início de novembro que nenhum responsável americano participaria na cimeira.
"Se for publicado um resultado sob a sua presidência, será apresentado apenas como uma declaração do presidente (sul-africano) para refletir fielmente a ausência de consenso", indica a embaixada.
As cimeiras do G20 terminam tradicionalmente com uma declaração conjunta dos líderes, resumindo os pontos de consenso encontrados sobre assuntos económicos e de governação global.
Questionado pela AFP sobre esta nota, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da África do Sul, Chrispin Phiri, declarou que o seu país não se deixaria intimidar.
"A ausência de Washington anula o seu papel nas conclusões do G20", considerou. "Mas não podemos permitir que a coerção pela ausência se torne numa tática viável, pois isso conduz à paralisia institucional e ao colapso da ação coletiva. Esta questão é muito crítica para o continente africano", acrescentou.
O tema da presidência sul-africana, "Solidariedade, igualdade, sustentabilidade", concentra-se prioritariamente no alívio da dívida dos países em desenvolvimento, no financiamento da adaptação às alterações climáticas e na luta contra as desigualdades económicas.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, tinha considerado isso "antiamericano" em fevereiro.
A África do Sul é o primeiro país africano a organizar uma cimeira do G20, cujos membros - 19 países mais a União Europeia e a União Africana - representam 85% do PIB mundial e cerca de dois terços da população.