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Agência nuclear dos EUA quer alterar regras para o lixo radioativo
Os críticos já começaram a levantar a voz e os sinais de alerta para as intenções da Comissão Reguladora do Nuclear, que quer permitir que o material radioativo seja descartado por 'enterro em terra', com efeitos secundários para a saúde humana e ambiente.
Os críticos consideram que a mudança nas regras poderá permitir que material radioativo de níveis perigosos acabe em locais como aterros sanitários municipais.
Atualmente, o lixo com os níveis mais baixos de radioatividade vai para locais altamente regulamentados no Texas, Washington, Carolina do Sul e Utah. A Comissão Reguladora do Nuclear (NRC, na sigla em ingês) aceita exceções para este tipo de resíduos seja descartado em locais não licenciados para o nuclear. No entanto, são exceções atribuídas muito raramente e analisadas caso a caso, com protocolos ainda assim apertados.
As alterações agora propostas mudariam essas “exceções” de forma significativa, alerta Dan Hirsch, presidente do Committee to Bridge the Gap, num organismo de vigilância à indústria nuclear sem fins lucrativos.
“Significaria a maior desregulamentação massiva do lixo radioativo na história americana”, reforça Hirsch, referindo-se à intenção de permitir “enterro em terra” dos resíduos de “muito baixo nível de radioatividade”.
“Se largamos lixo radioativo em sítios que não foram desenhados para os receber, eles voltam para nos perseguir: no ar que respiramos, na comida que comemos e na água que bebemos”, alerta.
David McIntyre, porta-voz da NRC, garantiu por email ao The Guardian, que esta regra apenas se aplicaria a um pequeno conjunto de resíduos e que não seria aplicado pela agência “caso sentissem que a saúde pública e a segurança ambiental não estariam protegidos”.
No entanto, as dúvidas dos críticos surgem logo pelo problema de não haver qualquer estatuto, nem mesmo regulamentação da NRC que defina o que é “lixo de muito baixo nível radioativo”. Há uma definição apenas para “baixo nível”, o que inclui roupa, ferramentas, ou equipamento médico.
Diane D’Arrigo, da Nuclear Information and Resource Service, diz que ser de nível muito baixo não é sinónimo de ser seguro, avisando para a porta que se abre se forem adotados critérios de linguagem vagos, que em última instância levem a que esses resíduos sejam deitados fora como se não fossem radioativos.