Agricultores e polícia voltam aos confrontos na Bolívia após dois meses
Os confrontos eclodiram, pela primeira vez em dois meses, entre a polícia e os agricultores que bloqueavam uma estrada no centro da Bolívia em protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis.
Este foi o primeiro confronto desde a implementação do estado de emergência, no final de junho, informou o exército.
A polícia de choque lançou na quinta-feira gás lacrimogéneo contra os manifestantes, que recorreram a pedras para proteger o bloqueio de uma ponte em Marbán, na região de Beni, na Amazónia, a 480 quilómetros a nordeste da capital, La Paz.
Após quatro horas de confrontos, a polícia, protegida por militares que não intervieram, conseguiu libertar a estrada, disse o coronel Luis Ortiz, comandante militar da região.
As autoridades não divulgaram números sobre detenções ou feridos. Do lado dos manifestantes, cinco pessoas ficaram feridas, disse à agência de notícias France-Presse Aydée Hilera, líder dos produtores de arroz mobilizados.
Os agricultores de Beni começaram a bloquear a ponte na quarta-feira, em protesto contra um decreto do governo que duplicou o preço do gasóleo, elevando-o para cerca de 1,50 dólares (1,29 euros) por litro.
Com exceção dos confrontos que eclodiram no dia seguinte à declaração do estado de emergência, no final de junho, estes são os primeiros confrontos desde que a medida entrou em vigor.
O estado de emergência foi proclamado a 20 de junho pelo Presidente Rodrigo Paz para conter uma onda de protestos ligados à crise económica, que tinha paralisado o país durante 53 dias.
A Bolívia está a atravessar uma crise estrutural no abastecimento de combustível.
Em dezembro, o governo eliminou um programa de subsídios para garantir o abastecimento, mas sem sucesso.
Recentemente, voltou a aumentar os preços do gasóleo, atribuindo a escassez ao contrabando para outros países, facilitado pelo ainda baixo preço interno.