Águas de Nova Orleães contaminadas por bactéria perigosa
As águas de Nova Orleães estão contaminadas pela bactéria estafilococo e beber dessa água poderá causar doenças graves e até mesmo a morte, divulgou hoje a CNN, citando uma fonte da Câmara da cidade.
A ruptura do sistema de diques de Nova Orleães durante o furacão "Katrina" a 29 de Agosto deixou 80 por cento da cidade alagada e inutilizou o sistema de esgotos, provocando uma mistura tóxica de químicos, lixo, dejectos humanos e cadáveres.
A situação é propícia à propagação de doenças, nomeadamente as provocadas pela bactéria estafilococo, comum em dejectos humanos e de animais.
As equipas de emergência conseguiram reparar a maior parte dos diques danificados e o bombeamento da água acumulada na cidade já começou a ser feito hoje, no entanto, e segundo o presidente da Câmara de Nova Orleães, Ray Nagin, serão precisas pelo menos três semanas para secar a cidade.
O tenente-general Carl Strock, do corpo de engenheiros do exército norte-americano que está a proceder ao bombeamento, é mais pessimista, falando de 80 dias para retirar toda a água de Nova Orleães.
O nível da água já começou a descer, mas 60 por cento da cidade permanece debaixo de água.
"Estamos a ver alguns progressos", confessou Nagin no programa "Today" da NBC.
"Em certas zonas onde a água chegava aos tectos, começamos a ver certas partes das casas", acrescentou.
A maior parte dessas casas nunca mais poderá cumprir a sua função e terá de ser deitada abaixo.
Entre 140.000 a 160.000 casas inundadas pelas águas fétidas são "irrecuperáveis", disse hoje o responsável pela pasta do Ambiente no Estado do Luisiana, Mike McDaniel.
Como os riscos para a saúde são elevados, Nagin pretende que todas as pessoas que ainda permanecem na cidade a abandonem.
"Toda a gente deve partir porque os riscos para a saúde são elevados. Há produtos tóxicos na água e fugas de gás que podem provocar explosões", explicou.
"Não há água potável e há mosquitos que voam por aí depois de picar cadáveres. Não é um ambiente saudável", avisou.
No entanto, aproveitou para negar ter dado ordem para não ser distribuída comida e água às pessoas que insistam em ficar.
O exército está a pensar usar aviões para pulverizar com insecticida áreas onde as águas estagnadas se tornaram propícias para a multiplicação de mosquitos que podem ser portadores de vírus como o do Nilo.
Nesta altura, o número de pessoas retiradas da cidade pelas equipas de emergência começa a diminuir, porém, o estado de saúde destas vai piorando.
"A maior parte deles estão em estado de delírio. Estão desidratados e muitos deles são idosos sem acesso aos seus medicamentos", continuou.
Outras das preocupações das autoridades são os incêndios. Com a falta de electricidade, que deverá ser reposta somente dentro de seis a oito semanas, os sobreviventes que ainda permanecem nas suas casas são obrigados a recorrer a velas ou candeeiros a petróleo. Numa cidade onde muitas construções são antigas e de madeira, os acidentes acontecem.
Até agora o número oficial de mortos vai em 71, mas Nagin adianta que as expectativas apontam para a ordem dos milhares.
"Vai ser terrível e vai acordar outra vez a nação", referiu o presidente da Câmara de Nova Orleães.
AR.
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