Águas portuguesas com qualidade superior à média europeia

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Em toda a Europa, apenas 40 por cento das massas de água estão em bom estado ecológico. Portugal é um dos países cuja qualidade das águas dos rios, lagos, águas costeiras e subterrâneas se encontra bem posicionada na tabela.

A conclusão é da Agência Europeia do Ambiente (AEA) que, com o relatório “Águas europeias: avaliação do estado e das pressões 2018”, constatou que a maioria das águas não cumpre com os padrões ecológicos mínimos para evitar a degradação do habitat e a poluição.

Peter Kristensen, coordenador do estudo, declarou ao diário britânico The Guardian que uma maior densidade populacional e práticas intensivas na agricultura foram alguns dos fatores que contribuíram para o resultado.
O relatório é já o segundo realizado pela AEA desde 2012.

“É necessário fazer muito mais para que todos os lagos, rios, águas costeiras e subterrâneas fiquem num bom estado”, afirmou Karmenu Vella, comissário da União Europeia para o ambiente.

“Combater a poluição proveniente da agricultura, indústria e agregados familiares exige esforços conjuntos de todos os que utilizam água na Europa”.

Acrescentou, no entanto, que desde 2010 tem havido uma melhoria ligeira na qualidade da água devido ao aperfeiçoamento do tratamento das águas residuais e à redução da contaminação pela agricultura, o que levou à restauração de sistemas ecológicos degradados e facilitou as migrações de peixes.

O relatório alerta que a maioria das águas subterrâneas está em boas condições mas que apenas 40 por cento dos rios, lagos e águas costeiras vigiadas conseguiram obter a classificação de “bom” ou “muito bom”.
Elevada qualidade das águas portuguesas
Apesar do recente alerta vermelho em Albufeira, onde duas praias ficaram interditas a banhos devido a contaminação das águas, Portugal passou com distinção no teste de qualidade da agência europeia.

O país apresenta a melhor água no norte e no Algarve, sendo a pior região o interior sul. Quanto às águas subterrâneas, a qualidade foi avaliada entre os 75 por cento e os 100 por cento. Nas bacias hidrográficas, Portugal regista também uma das percentagens mais elevadas.

As piores classificações foram para os países da Europa Central e Reino Unido. Na maioria dos casos o principal contaminante é o mercúrio, estando também presente o cádmio, substância utilizada em fertilizantes.

A construção de barragens e a extração excessiva são outros dos fatores que ameaçam a qualidade das águas a longo prazo.
Violação de diretiva da UE
Em 2000 entrou em vigor a Directiva Quadro da Água, criada pela União Europeia com o objetivo de proteger a saúde humana, garantir a distribuição de água potável e preservar os ecossistemas e a biodiversidade.

Esta diretiva ditava que os Estados membros deveriam “dar o cumprimento” às “normas e objetivos o mais tardar 15 anos a contar da data de entrada em vigor” do documento, ou seja, até 2015.

Tendo em conta que a maioria dos países falhou com o cumprimento deste prazo, considera-se que violaram a diretiva europeia.

Andreas Baumueller, diretor da organização não governamental World Wide Fund for Nature, que promove a conservação ambiental, considera que esta falha europeia ameaça os objetivos de biodiversidade que deveriam ser alcançados nos próximos anos.

“A diretiva existe mas a vontade política para fazer as coisas acontecer está, claramente, em falta”, declarou.

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