AIE prevê transformação irreversível do mercado energético
O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que a crise decorrente do encerramento do estreito de Ormuz vai transformar de forma irreversível o mercado energético mundial, impulsionando o desenvolvimento dos transportes elétricos e da energia nuclear.
"É demasiado cedo para determinar todas as reações a longo prazo, mas espero que os carros elétricos recebam um grande impulso", afirmou Fatih Birol numa conferência de imprensa em Viena, durante a apresentação do relatório da AIE sobre o setor energético, na Áustria.
O diretor da agência internacional sublinhou a gravidade da crise desencadeada pelo conflito com o Irão, iniciado a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel, e o subsequente bloqueio de Ormuz, por onde costumava passar cerca de 20% do petróleo comercializado no planeta.
De acordo com estimativas da AIE, a perda na oferta mundial de crude atinge os 14 milhões de barris por dia, cerca de 13,5% da média do consumo mundial prevista pela agência para este ano.
Apesar do cessar-fogo em vigor, o especialista alertou que o mercado já sofreu danos irreversíveis nesta crise.
"Veremos anos de volatilidade nos mercados do petróleo e do gás. O dano já está feito", afirmou Fatih Birol.
Segundo o responsável, muitos países deverão adotar "respostas estratégicas" para reduzir a dependência das importações provenientes de zonas de alto risco geopolítico, dando prioridade à produção interna, uma vez que a crise evidenciou a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento.
O diretor da AIE comparou a situação atual com a crise do petróleo de 1973, que levou a indústria a duplicar a eficiência dos combustíveis nos automóveis.
De forma semelhante, Birol espera agora um salto qualitativo na eficiência energética, ao mesmo tempo que prevê uma reconfiguração das rotas comerciais globais.
Além disso, o diretor da AIE mostrou-se preocupado com a conjuntura imediata na Europa e reiterou o aviso sobre o risco de escassez de querosene (combustível derivado do petróleo usado na aviação), especialmente durante as férias de verão.
"A procura vai aumentar e a oferta será instável", alertou, recordando que o consumo de combustível para aviação na Europa costuma ser, em agosto, 40% superior ao de março.