AIEA reporta Teerão ao Conselho de Segurança da ONU pela primeira vez em 20 anos

AIEA reporta Teerão ao Conselho de Segurança da ONU pela primeira vez em 20 anos

O conselho do organismo de vigilância atómica da ONU reportou hoje o Irão ao Conselho de Segurança, pela primeira vez em 20 anos, por não cumprir as obrigações nucleares.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Elisabeth Mandl - Reuters

Uma maioria de 23 de 34 membros com direito de voto do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) aprovou esta quarta-feira a resolução em Viena, criticando Teerão por não cooperar numa investigação de longa duração sobre vestígios de urânio detetados por inspetores em vários locais não declarados no Irão.

A China, a Rússia e o Níger opuseram-se, enquanto oito países se abstiveram, segundo diplomatas citados pela agência Associated Press (AP), que falaram sob condição de anonimato para descrever o resultado da votação à porta fechada.

O texto, apresentado em Viena pelos Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido, insta o Irão a remediar "urgentemente" a violação do Acordo de Salvaguardas com a AIEA.

Desde os ataques israelitas e norte-americanos a instalações nucleares iranianas, o Irão restringiu o acesso dos inspetores da agência atómica das Nações Unidas, que ainda não conseguem determinar o paradeiro de cerca de 400 quilogramas de urânio altamente enriquecido, um material próximo de uso militar.

De acordo com a resolução, o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, precisa de acesso às instalações para "fornecer as garantias necessárias quanto à correção e completude das declarações do Irão".

A decisão marca a primeira vez desde 2006 que uma resolução do Conselho de Governadores da AIEA sobre o Irão é remetida ao Conselho de Segurança da ONU, onde a China e a Rússia, ambas aliadas do Irão, têm poder de veto.

A resolução assinala uma nova escalada diplomática na tentativa das potências ocidentais de pressionar o Irão para permitir maior acesso aos inspetores da AIEA e fornecer informações sobre o paradeiro do seu urânio altamente enriquecido.

Este material, enriquecido para 60%, está próximo do necessário para uso militar.

A AIEA manifestou preocupação por não conseguir determinar onde este material se encontra atualmente, após ataques a instalações nucleares iranianas em junho de 2025 e desde o final de fevereiro.

Após os primeiros ataques, o Irão restringiu o acesso aos inspetores no verão de 2025, alegando razões de segurança.

O próprio Grossi insistiu que o acesso dos inspetores é indispensável mesmo após os ataques, de forma a permitir à AIEA verificar o cumprimento por parte do Irão das suas obrigações de salvaguardas e determinar se todo o material nuclear está a ser utilizado para fins pacíficos.
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