Crise social e económica na Venezuela vai aumentar de forma significativa
O secretário-geral do Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas teme que os hospitais na Venezuela não consigam responder à maré de urgências que os sismos provocaram.
“A principal preocupação é a falta de preparação nos serviços de emergência e Proteção civil. Isto pode dificultar resgates e a distribuição de ajuda”, refere Gaston Ocampo.
Oriana Barcelos – RTP Antena 1
Venezuela à beira do colapso: terramoto põe a nu feridas mais profundas de um Estado já no limite
Povo venezuelano está a passar por horas de angústia e incerteza sem precedentes. Após anos de divisões latentes, viu a natureza revelar as suas feridas mais profundas.
A fraqueza do executivo é, talvez, o aspeto mais preocupante para quem observa a Venezuela do exterior. Este "teste" face ao terramoto não é um assunto trivial; se a resposta se revelar um fracasso retumbante, as consequências poderão ser desestabilizadoras para o próprio governo Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela desde 5 de janeiro de 2026, na sequência da captura de Nicolás Maduro pelas tropas norte-americanas dois dias antes.
A população, já exausta por anos de crise, aguarda agora para ver se a resposta oficial será capaz de a proteger ou se, mais uma vez, o Estado lhe virará as costas. "A economia venezuelana encontrava-se mergulhada numa crise profunda desde 2013, muito antes das sanções internacionais, com uma má gestão que tinha levado a pobreza das famílias a cerca de 65 por cento", afirmou Juan Manuel Trak, um cientista político venezuelano e investigador especializado em processos políticos contemporâneos, à RTVE Noticias.
"A crise vai levar as pessoas a questionarem-se: até que ponto é que esta senhora — a presidente interina, ou seja lá qual é a designação — sabe realmente como gerir uma crise como esta?", interroga-se Carlos Malamud, investigador sénior do Instituto Real Elcano, que defende que esta resposta constitui um teste crucial para o governo. Malamud acrescenta que, embora Delcy Rodríguez, o seu irmão e Cabello detenham o poder, a sua posição é de "maior fragilidade política do que sob o regime de Maduro". O "protetorado" de Trump O cientista político venezuelano salienta que os Estados Unidos assumiram o controlo de facto sobre as decisões de política pública, incluindo a legislação relativa aos hidrocarbonetos e à mineração. Carlos Malamud descreve abertamente esta influência como um "protetorado". Este estatuto pode ser interpretado de duas formas: por um lado, pode facilitar uma ajuda internacional mais rápida e substancial para aliviar os efeitos do terramoto, levando outros governos de direita da região a demonstrar solidariedade, em consonância com a posição de Washington.
A estratégia dos EUA, que os especialistas descrevem como um plano em três fases que envolve estabilização, extração de recursos e democracia, foi posta em causa na sequência da catástrofe. Juan Manuel Trak adverte que o terramoto teve um impacto direto na fase de recuperação desta estratégia política, obrigando as autoridades a desviar o seu foco de uma agenda centrada na extração de recursos para uma centrada exclusivamente na sobrevivência da população civil.
Susana Gratius insiste que o plano é, na sua essência, de natureza "extrativista", uma linha de argumentação que associa à famosa frase de Donald Trump "vamos governar o país", em que o interesse principal parece ser o controlo do setor petrolífero, em vez do bem-estar do povo venezuelano.Impacto nas infraestruturas
O potencial impacto na infraestrutura petrolífera acrescenta uma dimensão devastadora de complexidade à crise humanitária. "Se este desastre afetar a infraestrutura petrolífera, obrigará o país a alterar a sua estratégia, uma vez que terá de redefinir as suas prioridades… agora a tarefa é reconstruir um país cuja infraestrutura já se encontrava muito, muito degradada", afirma Juan Manuel Trak, de forma categórica.
A ajuda internacional está a revelar-se um fator fundamental para evitar um colapso ainda maior, mas também uma fonte de atrito político. A ONU, através do seu responsável pela ajuda humanitária, Tom Fletcher, confirmou que está totalmente mobilizada e em contacto estreito com a equipa em Caracas liderada por Gianluca Rampolla, enquanto organizações como o Gabinete das Nações Unidas para os Serviços de Projectos (UNOPS) e a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) manifestaram a sua disponibilidade para prestar assistência na sequência dos danos extensos causados a habitações e infraestruturas essenciais.
Malamud defende que a existência de uma espécie de protetorado de facto sob a influência dos EUA facilita uma ajuda mais rápida e substancial, ao mesmo tempo que molda a postura de outros governos da região. No entanto, esta perceção é objeto de debate; enquanto alguns a consideram um mecanismo essencial de estabilização, Gratius adverte que o interesse internacional, em particular o de Washington, poderia ser interpretado "como parte de uma lógica extrativista que visa dominar o setor energético em vez de dar prioridade à recuperação integral da população".
Delcy Rodriguez esteve em La Guaira
Delcy Rodriguez falou com as equipas de socorro e com familiares das vítimas e salientou a chegada da ajuda internacional no terreno, de modo a reforçar as operações de busca e salvamento. Em La Guairia há inúmeros edifícios colapsados. As autoridades acreditam que muitas vítimas estão ainda nos escombros.
Perto de 50 mil pessoas continuam dadas como desaparecidas, de acordo com a plataforma criada pelo governo para localizar as vítimas deste duplo sismo.
ONU promete ajuda urgente ao governo de Caracas
Equipas médicas fundamentais nas "primeiras emergências"no resgate de vítimas
As equipas de busca e resgate são "sempre acompanhadas por equipas médicas", para garantir possíveis atendimentos às vítimas, se necessitarem.
"Temos noção que, neste tipo de catástrofe, os primeiros cuidados, as primeiras emergências são de traumas", disse a médica do INEM, enumerando "situações de quedas, de fraturas, que precisam de ser abordadas no imediato".
Além da saúde física, é fundamental ter um psicólogo nas equipas médicas.
"Existem equipas próprias (...) de apoio psicossocial, porque percebemos a necessidade que há".
Subiu para nove o número de portugueses e lusodescendentes mortos
Mulher resgatada com vida dos escombros em La Guaira
Objetivo da missão portuguesa na Venezuela é identificar sobreviventes
"Ou seja, a prioridade é indiscutivelmente resgatar vítimas com vida. Se for identificada uma vítima mortal. A equipa faz a identificação do local e não retira o cadáver".
Joaquim Santos realça que esta é uma "missão complexa a nível psicológico" para as equipas locais.
Operacionais da missão portuguesa convocados para as 15h em Figo Maduro
A RTP apurou que, depois de terem tratado da documentação e passaportes, neste momento estão a decorrer reuniões preparatórias e cumprem-se ainda requisitos como vacinação da equipa que inclui pelo menos 26 elementos da GNR, 15 do regimento sapadores bombeiros de Lisboa, do INEM deverão ser 7 e da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil deverão ser 11.
É a proteção civil quem vai coordenar esta força operacional conjunta de cerca de 60 operacionais.
A missão portuguesa na Venezuela terá uma duração de até 10 dias e os operacionais levam equipamento para estarem autónomos quer a nível de logística quer de alimentação.
Equipas de salvamento dos países mais próximos já estão na Venezuela
Sismos muito grandes podem ter mais que uma rutura
Miguel Miranda frisou ainda que como "a destruição provocada dos dois sismos foi muito grande, há muitos escombros, há muitas estruturas que estão danificadas de forma definitiva e agora basta uma pequena energia, para caírem outra vez".
Tripulações portuguesas da TAP e da Hi Fly estão de regresso a Portugal
Outros tripulantes estavam num hotel que sofreu estragos. E um deles sofreu ferimentos ligeiros.
Estão todos de regresso a Portugal.
Rangel aponta como prioridade envio de ajuda humanitária e de emergência para a Venezuela
Aumentou para seis o número de mortos confirmados com ligações a Portugal na Venezuela, estando ainda desaparecidos 56 lusodescendentes.
Chegou a Caracas um alto responsável militar americano
"O Major-General da Marinha Kevin J. Jarrard chegou hoje a Caracas, Venezuela, para supervisionar o apoio do Departamento de Guerra aos esforços de ajuda às vítimas do terramoto na Venezuela", anunciou o Comando Militar dos EUA para a América Latina e o Caribe (Southcom) em X.
Primeira equipa de ajuda internacional já chegou à Venezuela
Novo balanço aponta para 235 mortos, seis deles entre a comunidade portuguesa
Ajuda portuguesa deve partir nas próximas horas
Portugal vai enviar uma força operacional para a Venezuela, com 60 elementos, que deverá partir nas próximas horas.