Al-Qaeda pode estar a preparar atentados no Mundial da África do Sul

Um relatório entregue pela fundação NEFA ao Congresso norte-americano alerta as autoridades para a possibilidade de ocorrerem ataques durante o Mundial de Futebol na África do Sul. Segundo o jornal sul-africano Sunday Times, a NEFA afirma que em Moçambique existem três campos de treino para terroristas, nomeadamente da Al-Qaeda e da Al-Shabaab.

António Carneiro, RTP /
Balão gigante em forma de bola de futebol flutua sobre o Soweto. O Campeonato do Mundo de Futebol FIFA 2010 tem inicio a 11 de Junho por entre receios de atentados terroristas. Jon Hrusa, EPA

As informações sobre eventuais planos terroristas foram entregues pelo director da NEFA, Ronald Sandee, ao Congresso norte-americano.

A NEFA descreve-se a si própria como um instituto apolítico cujos investigadores incluem jornalistas, académicos e antigos analistas de informações que trabalharam para o FBI e para o Departamento de Defesa.

De acordo com o documento entregue à comissão antiterrorismo do Congresso, militantes somalis e paquistaneses estabeleceram campos de treino no norte de Moçambique e "os membros treinados nestes campos podem ter viajado para a África do Sul para se juntarem ou formarem células que planeiam ataques ao Campeonato do Mundo".

A NEFA afirma também que equipas de vigilância e de ataque já se encontram bem estabelecidas no interior da África do Sul, com a finalidade de lançar ataques simultâneos e ao acaso durante o Mundial. Os grupos envolvidos incluem a Al Qaeda e os seus aliados somalis do Al-Shabaab.

"Ataques kamikaze"

O director da NEFA referiu aos congressistas as numerosas referências captadas, durante o mês de Maio, a ataques durante o Mundial, em transmissões de rádio de frequência fechada e em comunicações telefónicas interceptadas na Mauritânia, Argélia, Mali, Paquistão e Iémen.

Estas transmissões dão conta de vários alvos que serão atacados, alguns simultaneamente, outros ao acaso. Também são feitas referências a ataques ao estilo "kamikaze"

Ronald Sandee refere também um porta-voz da Al-Qaeda, que, numa comunicação interceptada e meados de Abril, diz que "o povo sul africano deve afastar-se, não só das competições que envolvem os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, mas também das que envolvem aqueles que troçaram do profeta Maomé - a Dinamarca e a Holanda".

Nas notas a que o Sunday Times teve acesso, o director da NEFA refere pormenores sobre três campos de treino nas províncias moçambicanas de Nampula e Tete, onde treinam militantes somalis, paquistaneses, indianos e bangladeshis.

Sandee identifica também um nacional paquistanês, suspeito de dirigir uma célula de coordenação da Al-Qaeda, que instrui os elementos treinados sobre quando devem atravessar a fronteira, utilizando como fachada um restaurante de marisco sul-africano.

"Um falso sentimento de segurança"
O director da NEFA disse ao jornal sul-africano que a informação apresentada ao Congresso dos EUA deriva de várias fontes nas agências de informações e segurança e dos próprios informadores que a fundação tem no terreno.

A NEFA sugere que as autoridades sul-africanas têm alimentado um "falso sentimento de segurança". O próprio Sandee declarou-se convencido de que a possibilidade de atentados durante o Campeonato do Mundo é de "cerca de 80 por cento".

Segundo o Sunday Times, fontes dos serviços de informação acusam o Governo sul-africano de apenas ter começado a tomar a sério as ameaças de terrorismo há alguns meses. Os operacionais queixam-se, mesmo assim, de que muitos dos seus avisos estão a ser ignorados e não são sequer passados aos escalões superiores.

Autoridades de Moçambique manifestam cepticismo
Reagindo a estas notícias o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, considerou "improvável" a existência de campos de treino para terroristas em Tete (Centro) e Nampula (Norte), mas exortou os serviços de defesa e segurança a estarem "muito atentos".

"Nós não temos conhecimento disso. Não me parece provável que isso aconteça, mas os órgãos ligados à defesa e segurança em Moçambique devem estar muito atentos a essas questões", disse o chefe de Estado moçambicano, falando terça-feira em Nice, onde participou na Cimeira África-França.

Contudo, o chefe de Estado admitiu que as autoridades moçambicanas vão lançar uma investigação para apurar a denúncia.

"Os órgãos de defesa e segurança em Moçambique trabalham em colaboração muito estreita com os órgãos de defesa e segurança da região e, por conseguinte, há troca de informações e, até agora, nós não temos conhecimento ao nível da região de algo dessa natureza", disse o Presidente moçambicano.

O porta-voz da polícia moçambicana, Pedro Cossa, também negou existirem campos de treino para terroristas no país e acusou "algumas pessoas" de não estarem "interessadas" que o Mundial de Futebol na África do Sul "seja um sucesso".

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