Al-Sisi visita Lisboa preocupado em convencer turistas portugueses

por Lusa

Cairo, 19 nov (Lusa) -- O Presidente egípcio inicia segunda-feira uma visita de dois dias a Portugal para agradecer o apoio diplomático ao seu país e reforçar a imagem de destino seguro para os turistas do mundo inteiro.

A redução dos turistas deve-se à imagem de insegurança do país, depois da queda dos governos de Hosni Mubarak e de Mohamed Morsi, com protestos violentos nas ruas e a tomada de posse pelos militares, liderados pelo atual Presidente, eleito formalmente em 2014.

"Queria tranquilizar os turistas", os "nossos destinos turísticos são totalmente seguros e estáveis e os nossos aeroportos, em conformidades com os critérios da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) são seguros e estáveis", afirmou, em entrevista à Lusa, o presidente egípcio.

Em 2014, as receitas do turismo diminuíram 95 por cento em relação aos tempos de Mubarak, que governou até 2011, e o regresso dos turistas tem sido demasiado lento em relação ao esperado pelos analistas.

"O Egito recebia um determinado número de turistas que vinham para cá passar um bom tempo, visitar destinos turísticos encantadores e ver os magníficos monumentos do Egito. Este número diminuiu nos últimos anos", admitiu o chefe de Estado, que visita Portugal numa altura de protestos de organizações não-governamentais contra o regime, acusado de violação sistemática dos direitos humanos.

A visita, a convite do Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, inclui vários encontros bilaterais e será a primeira visita de Estado a Portugal "de um presidente egípcio em mais de 24 anos".

O objetivo é "o desenvolvimento da cooperação em todas as áreas", explicou à Lusa al-Sisi.

No ano passado, o "volume das trocas comerciais aumentou 38%, mas este valor ainda está muito modesto: são apenas cerca de 200 milhões de euros", explicou o dirigente.

No encontro, o Egito pretende reforçar ações de "cooperação no setor económico e em outros setores que possam potenciar em larga medida as oportunidades de cooperação", disse o Presidente, salientando que a visita a Portugal é também uma forma de agradecer o apoio diplomático português.

"Tenho que registar, com toda a consideração, a tomada de posição equilibrada por parte de Portugal relativamente aos acontecimentos ocorridos no Egito. Na verdade tem sido uma posição de apoio e de compreensão daquilo que se passava no Egito no âmbito das difíceis circunstâncias a que está assistir toda a região", disse al-Sisi, que conquistou o poder nas eleições de 2014, depois de um golpe de Estado ter afastado o seu antecessor, também democraticamente eleito, Mohamed Morsi.

As exportações de Portugal para o Egito subiram 12,2% entre 2011 e 2015, registando um forte aumento este ano. Só até agosto, Portugal já tinha vendido 82,6 milhões de euros a este país do norte de África, o que representa uma subida de 28,1% face aos 64,5 milhões de euros em bens vendidos nos primeiros oito meses do ano passado.

As importações, por seu turno, subiram 6,3%, mas desde 2012 que estão numa tendência decrescente, só alterada no ano passado, e mesmo assim por uma escassa margem: enquanto em 2012 as compras de Portugal ao Egito totalizavam mais de 145 milhões de euros, em 2015 pouco passavam dos 90 milhões.

O ano passado, aliás, foi o primeiro dos últimos cinco anos em que a balança comercial foi positiva a Portugal, em 12,2 milhões de euros.

O Egito é o 43.º cliente de Portugal, mas nos primeiros oito meses deste ano subiu para 39.º, ao passo que, enquanto fornecedor, o Egito ocupa a 52.ª posição.

As peles e couros, as matérias têxteis e os plásticos e borracha representam mais de 80% das compras de Portugal ao Egito, enquanto que os principais produtos exportados são as pastas celulósicas e o papel, que valem quase metade do total.

PJA/MBA // APN

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