Alarme na Nigéria perante novo surto do ébola

A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um aviso sobre uma nova vaga de contaminações com o vírus do ébola no sudoeste da Nigéria, considerada mais perigosa do que a vagan anteriormente ocorrida na própria capital do país. O novo foco de disseminação da doença, centrado na cidade de Port Harcourt, resulta de um médico infectado ter continuado em contacto com doentes e a realizar intervenções cirúrgicas.

RTP /
Abdulsalami Nasidi, o director do Centro Nigeriano de Controlo de Doenças (esq.), o comissário do Governo para a Saúde, Jide Idris (centro) e a conselheira especial para a Saúde, Yewande Adesina, em conferência de imprensa sobre o ébola. Akintunde Akinleye, Reuters

O médico que esteve na origem do surto morreu em 22 de Agosto, tendo a doença sido igualmente diagnosticada à sua mulher e a uma outra pessoa da clínica em que travalhava. Mas receia-se que haja muito mais casos, porque o médico manteve-se em contacto com os doentes enquanto desconheceu a sua própria contaminação.

Há actualmente 400 pessoas sob observação, devido a possíveis contactos com aquele médico. Destas, quatro centenas calcula-se que o risco de infecção é muito elevado em seis dezenas.

O anterior alarme na Nigéria fora dado em 20 de Julho, quando o vírus foi diagnosticado a um passageiro de um voo proveniente da Libéria. A notícia de um caso, mesmo de origem liberiana, na capital da Nigéria suscitou imediatamente graves apreensões, por se tratar do país mais populoso da África. A capital financeira, Lagos, é também uma megalópole propícia à rápida disseminação de epidemias.



O médico falecido em Agosto não esteve em contacto com o doente vindo da Libéria, mas terá sido contagiado por uma pessoa que, ela sim, esteve em contacto com esse doente. O médico tinha tratado essa pessoa, a título particular, fora da clínica e fora informado do contacto desta com o doente vindo da Libéria.

Segundo Abdulsalami Nasidi, do serviço nigeriano de protecção contra epidemias, citado em Der Spiegel, "quando ele próprio adoeceu, não disse aos seus colegas que tinha estado em contacto com alguém que foi contagiado com ébola. Foi levado para um hospital normal, onde qualquer pessoa é tratada". Ele terá sido o único caso a escapar à vigilância daquele serviço.

Entretanto, a directora da OMS, Margaret Chan, calculou em 1.900 o número de mortes causadas até agora pelo ébola, dos quais 400 na última semana. O total de pessoas infectadas calcula-se em 3.500.

Chan lembrou ainda que "esta não é uma doença africana, é uma crise global. E por isso precisamos de uma solução global". E precisou: "Em 40 anos de história do ébola, nunca epidemia alguma foi tão grave, tão séria e tão complexa como esta".

Da complexidade começa entretanto a fazer parte o disparar de óbitos por outras doenças, completamente diferentes e não relacionadas com o ébola. Simplesmente, a monopolização de recursos sanitários pelo combate à crise do ébola leva a que morram numerosos doentes por problemas que noutra situação seriam tratáveis.

Segundo a organização "Médicos sem fronteiras", registam-se também casos de hospitais e centros de saúde deixados ao abandono por terem sido infectados com ébola os seus trabalhadores ou por estes ficarem em casa com medo do contágio.

Segundo a ONU, paira também sobre a região a ameaça de uma dramática penúria de alimentos, porque as medidas de quarentena e as restrições à liberdade de movimentos das pessoas privam os campos de força de trabalho, precisamente na altura das colheitas.
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