Alemanha vai juntar-se aos sete países que já integram projecto de combate à droga MAOC-N
O Centro de Análise e de Operações Contra o Narcotráfico Marítimo, que reúne sete países europeus entre os quais Portugal, vai a curto prazo incluir também a Alemanha, anunciou hoje o director-nacional da Polícia Judiciária.
Alípio Ribeiro falava na inauguração hoje em Lisboa do Centro de Análise e de Operações Contra o Narcotráfico Marítimo (MAOC-N), projecto presidido até 2009 pela PJ e que visa a coordenação, gestão e partilha de informação e a realização das operações de combate ao narcotráfico internacional.
"A Alemanha irá entrar para este projecto, já a curto prazo, e a Grécia e a Bélgica também já mostraram interesse em aderir", afirmou o Director Nacional da Polícia Judiciária, Alípio Ribeiro, durante a apresentação.
O MAOC N "faz sentido devido ao aumento de tráfico de cocaína e outras drogas, por via marítima com destino à Europa, com principal enfoque através das novas rotas do Atlântico, pelo Golfo da África Ocidental", afirmou o Director Nacional da PJ.
As polícias e forças militares envolvidas neste projecto pertencem a Portugal, que actualmente preside ao MAOC N, a Espanha, a Inglaterra, à França, à Irlanda, a Itália e Holanda.
Como parceiros e observadores neste projecto, que inicia hoje, surgem entidades da Defesa e Segurança dos Estados Unidos, da União Europeia (UE) e da Alemanha (que está como observadora até à entrada oficial no MAOC N).
Os ministros da Justiça, da Administração Interna, da Defesa Nacional e os secretários de Estado dos Negócios estrangeiros e da Cooperação visitaram hoje à tarde as instalações do Centro, sedeado em Lisboa, junto ao rio Tejo.
O Ministro da Defesa, Severiano Teixeira, que falou à imprensa na sala de operações do MAOC N, afirmou "que os meios estão garantidos e são suficientes", explicando que "a colaboração entre as forças de segurança e militares serão accionados consoante o grau de ameaça".
Por seu lado, o ministro da Justiça, Alberto Costa, garantiu que "o MAOC N será mais um instrumento ao combate do grande narcotráfico por rotas marítimas, estando satisfeitos com os resultados até agora alcançados".
O MAOC N tem como principal missão a gestão, partilha e coordenação de informação no respeitante ao combate à droga, bem como organizar as operações conjuntas na área de influência dos vários estados.
Os Estados Unidos participam através da Joint Interagency Task Force South (JIATFS), com sede no estado norte-americano da Florida, que tem parcerias de cooperação com organizações de segurança norte-americanas tais como os serviços secretos externos CIA, o FBI, a Agência Anti-Droga (DEA) e a Agência Nacional de Segurança (NSA) entre outras.
A União Europeia participa através da Europol, incumbido do tratamento e intercâmbio de informação criminal, que tem por missão a aplicação das leis da UE no âmbito do combate à criminalidade organizada.
Os meios operacionais que o MAOC N terá à sua disposição pertencem aos sete países europeus envolvidos no projecto e englobam recursos adicionais da Marinha e Força Aérea portuguesas, estes já utilizados em operações levadas actualmente a cabo pela Judiciária.
O MAOC N sofreu alguns atrasos no arranque oficial.
Entre as causas, disse à Lusa um dos agentes operacionais, deveu-se "ao elevado número de agentes estrangeiros que ficarão a operar a partir das novas instalações hoje inauguradas" mas "espera-se que a curto prazo fique a funcionar a 100 por cento".