Alerta de atentado terrorista em Díli

O governo australiano emitiu um alerta aos seus cidadãos residentes em Díli para que evitem, na quarta- feira, aproximar-se de edifícios governamentais na capital timorense por receio de um atentado terrorista.

Agência LUSA /
Edifíco da ONU em Dili DR

O alerta, emitido pelo Departamento de Negócios Estrangeiros e Comércio, indica que foram recebidas "novas informações quanto à eventualidade de um ataque bombista contra edifícios governamentais timorenses em Díli no dia 11 de Maio".

"Os cidadãos australianos são avisados para evitar a proximidade de todos os edifícios governamentais em Díli", acrescenta o aviso emitido às 20:32 (12:32 em Lisboa).

Em declarações à Agência Lusa, o primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, considerou que "questões como estas são para serem levadas a sério".

Segundo Alkatiri, e de acordo com a informação disponível, a ameaça de atentado foi feita por telefone.

"Tratou-se de um telefonema de um homem, com sotaque de timorense a falar inglês", disse o primeiro-ministro, acrescentando:

"Vamos ver o que isso significa".

Não é a primeira vez que surgem em Timor-Leste informações alertando para riscos de terrorismo.

Em Março, uma informação de circulação reservada entre a comunidade diplomática em Timor-Leste indicava que quatro alegados membros da rede terrorista Al-Qaida poderiam ter entrado no país.

Os quatro alegados membros da Al-Qaida foram identificados como sendo Feroz Abu Bakar Ganchi, nascido em 28 de Janeiro de 1971 e que tem nacionalidade sul-africana, Zubair Ismail, nascido em 12 de Junho de 1984, igualmente de nacionalidade sul-africana, Mushin Fadhi, identificado como "Ayib" Ashur Al Fadhil ou Abu Samia, nascido a 24 de Abril de 1981 no Kuwait, e Mustafa Akman, também conhecido por Abu Ubaydah al Turki ou Ubaida Ubeyde, nascido em 1969 e com nacionalidade turca.

O primeiro-ministro Mari Alkatiri disse na altura à Agência Lusa que os quatro alegados membros da Al-Qaida não tinham entrado em Timor-Leste e garantiu que um deles se encontrava mesmo preso nos Estados Unidos.

A primeira referência aos quatro homens foi feita num documento de circulação reservada entre as autoridades indonésias, de 31 de Janeiro passado.

No documento, o serviço de informações indonésio sublinhava a alegada intenção dos quatro homens de atravessarem a fronteira e entrarem em Timor-Leste.

Antes, em Dezembro de 2004, um "site" islâmico na Internet colocou Timor-Leste, a par dos Estados Unidos, União Europeia, Austrália e Nações Unidas, como potencial alvo de atentados terroristas.

A ameaça foi publicada no "site" indonésio da Internet do Hizbut-tahrir, ou Partido Islâmico de Libertação (PIL), sob o título "Tragédia dos muçulmanos em Timor-Leste".

Em causa estava a expulsão de cidadãos indonésios que ocupavam a mesquita de Annur, em Díli, e que, segundo os responsáveis do Hizbut- tahrir, configurava perseguição religiosa.

O Hizbut-tahrir, com ramificações a partir das antigas repúblicas soviéticas no continente asiático, está actualmente activo em vários países da Europa Ocidental, designadamente no Reino Unido, onde tem sedeado o servidor "hizb-ut-tahrir.org", que é o principal "site" da Internet do PIL e que tem como primeiro objectivo reconstituir o califado, ou governo central islâmico, destruído em 1924 pelo regime laico da Turquia.

Em Dezembro de 2004 verificou-se em Díli a expulsão de mais de 200 cidadãos indonésios, ligados, segundo o chefe da diplomacia timorense, José Ramos Horta, à organização radical islâmica "Al- Mufarridiah", depois de estes se terem recusado a legalizar a sua presença em Timor-Leste.

A "Al-Mufarridiah" é também identificada nos círculos dos serviços de informações ocidentais por Jemaah Islamiya, organização a que é imputada a autoria de vários atentados terroristas, entre os quais o de 2002 na ilha indonésia de Bali, em que morreram 202 pessoas, entre as quais um militar português, e o de Setembro de 2004 contra a embaixada australiana em Jacarta, em que morreram 11 pessoas.

A expulsão dos cidadãos indonésios de Timor-Leste levou a que fosse aconselhado um reforço das medidas de segurança no país, nomeadamente devido ao facto de as Nações Unidas manterem em Timor- Leste, único país predominantemente católico no Sudoeste Asiático, uma missão de assistência.

A 07 de Dezembro, um relatório de circulação reservada entre a comunidade diplomática acreditada em Díli referia que, apesar da expulsão, a rede (da Al-Mufarridiah) continuava activa.

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