"Ali-o-químico" foi executado por enforcamento

Três anos depois da execução de Saddam Hussein, Ali Hassan al-Majid, conhecido por "Ali o químico" foi executado por enforcamento cumprindo-se assim cumulativamente as quatro condenações à morte impostas pela justiça iraquiana.

RTP /
Condenado à morte quatro vezes por variadíssimos crimes, Ali Hassan al-Majid foi enforcado esta terça-feira três anos depois do primo de quem era um dos braços-direitos sem arrependimentos RTP

Primo do ditador deposto pela intervenção norte-americana, "Ali o químico" respondia por crimes contra a humanidade e por homicídio.

"O condenado Ali Hassan al-Majid foi executado hoje por enforcamento até à morte de acordo com a lei e com a Constituição" anunciou o porta-voz do governo iraquiano Ali Dabbagh.

O responsável iraquiano acrescenta ainda que ao antigo responsável do governo de Saddam Hussein foi aplicada a pena imposta pelo tribunal iraquiano que o julgou e que a execução se processou num clima de total respeito sem gritos de alegria nem palavras ofensivas ao contrário do que se passou aquando da execução do ditador deposto.

As últimas palavras de Ali em publico foram dirigidas para o Deus em que acreditava. "Al-hamdoulillah, al-hamdoulillah", "Deus seja louvado, Deus seja Louvado" foram as únicas palavras que saíram da boca daquele que foi um dos responsáveis máximos por vários massacres da oposição da Saddam Hussein, quando ouviu da boca do juiz a sentença que o condenava à morte.

Recorde-se que foi Ali Hassan al-Majid, vulgarmente conhecido por "Ali o químico", que deu a ordem em 1988 de bombardear a cvidade de Halabja, na região autónoma do Kurdistão, com armas químicas de que resultou a morte de pelo menos cinco mil curdos. Homens, mulheres e crianças foram mortos e ninguém foi poupado. Foi esta decisão que lhe conferiu, aliás, o apelido por que ficou conhecido de "Ali o químico".

Ali Hassan al-Majid foi durante o reinado de Saddam Hussein, que durou mais de 35 anos, a sua mão direita pronto a tudo para esmagar toda e qualquer rebelião contra o regime do partido Baas.

A notícia da sua execução trouxe, naturalmente reacções de alegria e regozijo nomeadamente nos curdos que foram dos principais alvos da acção do dirigente hoje executado.

Se os curdos, muitos deles com familiares mortos nos massacres do tempo de Saddam, demonstravam o seu regozijo, também os chiitas, no sul do país, demonstravam publica e sonoramente a sua alegria.

Se alguma tristeza existe naqueles que sofreram na pele o reinado tirânico de "Ali o químico" é pelo facto de esta execução ter demorado três anos e não ter sido levada a cabo mais cedo.

Homem de confiança de Saddam Hussein

Ali-o-químico" ocupou o cargo de secretário-geral do Partido Baas no norte do Iraque entre 1987 e 1989, coordenando a actividade do exército, a segurança e a secreta militar a quem incumbia a repressão do movimento curdo.

"Fui eu que dei as ordens ao exército para destruir as vilas e proceder ao realojamento dos aldeões. Não me defendo. Não peço desculpas. Não cometi nenhum erro", dizia comentando a repressão da rebelião curda, a campanha Anfal de 1987/1988 que fez perto de 180 mil mortos.

Tal como o seu primo que foi presidente, Ali-o-químico" era originário da região de Tikrit no norte do Iraque, onde nasceu em 1941.

Completamente devotado ao seu primo a quem jurou lealdade até à morte, o condenado supervisionou a ocupação do Kuweit, a que Saddam chamou a 19ª província do Iraque. Entre Agosto e Novembro de 1990 foi o governador sanguinário do pequeno país invadido pelas tropas iraquianas

Em 1991 retomou internamente o cargo de Ministro dos Assuntos Locais.

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