Mundo
Guerra na Ucrânia
Aliado de Trump fecha acordo com russa Novatek para exploração de gás natural no Alasca
O norte-americano Gentry Beach, que tem ligações à família do presidente norte-americano, assinou um acordo com a gigante energética russa Novatek para desenvolver gás natural no Alasca, apesar das sanções ocidentais contra a Rússia.
A notícia é avançada esta sexta-feira pelo jornal norte-americano The New York Times.
Em agosto, Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, reuniram-se no Alasca para negociações com o objetivo de pôr fim à guerra da Rússia na Ucrânia.
As autoridades norte-americanas e russas discutiram diversos potenciais acordos energéticos à margem das negociações. Fontes familiarizadas com as conversações disseram à Reuters que as propostas comerciais visavam encorajar o Kremlin a concordar com um acordo de paz na Ucrânia e Washington a aliviar as sanções contra a Rússia.
Em declarações ao New York Times, Gentry Beach, um empresário do Texas, revelou que tinha assinado discretamente um acordo para que a Novatek desenvolvesse gás natural no Alasca. O documento foi assinado no outono de 2025.
Segundo Gentry Beach o projeto estava nos estágios iniciais e enfrentava obstáculos significativos, recusando-se a divulgar os detalhes financeiros.
Já a Novatek disse ao jornal que estava "de facto a negociar o potencial uso" da sua tecnologia para liquefazer gás natural no remoto norte do Alasca, mas não confirmou que estava a trabalhar com Gentry Beach. Segundo o jornal norte-americano, “o acordo pode representar o primeiro caso conhecido de um investidor americano a formalizar um novo empreendimento comercial com uma grande empresa russa desde que o Kremlin começou a promover oportunidades de negócio para a administração Trump, há um ano.
De um modo geral, as empresas americanas têm-se mantido profundamente céticas em relação à realização de negócios com a Rússia, e a administração Trump impôs novas e significativas sanções à indústria petrolífera russa no último outono”.
Beach é presidente e CEO da empresa de investimento America First Global, que detém participações em energia, mineração e infraestruturas. Ajudou a angariar fundos para a campanha eleitoral de Trump em 2016 e contribuiu para moldar a agenda económica e diplomática America First do Governo.Gentry Beach é amigo de faculdade do filho mais velho do presidente norte-americano, Donald Trump Jr., segundo o New York Times.
Em entrevista ao New York Times, na semana passada, Gentry Beach afirmou que a relação com Donald Trump Jr. não teve qualquer influência no acordo com a Novatek e que não fez "qualquer negócio com os Trump a qualquer nível", e que o seu esforço não fez parte das conversações EUA-Rússia lideradas por Steve Witkoff, o enviado de paz do presidente norte-americano.
Beach revelou ainda que negociou o seu acordo em reuniões no Dubai e na Europa no ano passado com o CEO da Novatek, Leonid Mikhelson, que está sob sanções no Reino Unido e no Canadá, mas não nos Estados Unidos ou na União Europeia.
"É tempo de todos trabalharmos juntos", frisou o empresário descrevendo-se como um "portador da paz".A Novatek, que tem laços estreitos com o Kremlin, mas não é controlada pelo Estado, está sujeita a sanções parciais por parte dos EUA, e algumas das suas subsidiárias enfrentam restrições mais severas.
No entanto, Gentry Beach afirmou que conseguiu avançar legalmente com o acordo porque os Estados Unidos não sancionaram totalmente a própria empresa-mãe da Novatek.
Muitas empresas americanas apressaram-se a terminar as suas relações comerciais com a Rússia após a invasão da Ucrânia em 2022, devido ao aumento das sanções ocidentais e da pressão política.
Sob a Administração Trump, esta pressão diminuiu. Na primavera passada, Trump descreveu o potencial económico da Rússia como uma “tremenda oportunidade”.
Mas, embora o Kremlin estivesse ansioso por restabelecer os laços comerciais, Trump afirmou que os grandes acordos só seriam possíveis depois de a Rússia terminar a guerra na Ucrânia.
Beach afirmou que não estava à espera de se lançar em negociações com a Rússia, porque "quem chega primeiro à oportunidade é geralmente quem ganha dinheiro".
A maior parte do mundo corporativo norte-americano, que outrora via a Rússia como um mercado emergente promissor com uma classe média em crescimento, continua cética quanto ao regresso ao país devido à incerteza política e aos ganhos potenciais limitados.
O projeto de Beach iria abordar um dilema persistente para a indústria energética dos EUA: como vender a enorme quantidade de gás natural produzida na faixa de tundra junto à costa do Oceano Ártico do Alasca, conhecida como North Slope. No entanto, ainda enfrenta grandes obstáculos, incluindo a obtenção da participação de grandes empresas de energia que forneceriam gás para o projeto.
Poderá também competir com os planos apoiados por Trump para um gasoduto de 1.287 quilómetros para transportar gás do North Slope até ao sul do Alasca, onde poderá ser liquefeito e exportado. Beach argumentou que o seu projeto seria complementar ao gasoduto.
O projeto seguiria a abordagem que a Novatek desenvolveu para o transporte de gás do remoto Ártico russo: transformá-lo em gás natural liquefeito numa fábrica pré-fabricada e transportá-lo por quebra-gelo. A Novatek afirmou em comunicado que o clima no Ártico do Alasca era semelhante.
“Os especialistas discutem esta oportunidade há muitos anos”, prosseguiu o comunicado da Novatek enviado ao New York Times. “Dito isto, todos os arranjos só podem ser implementados mediante o apoio das autoridades russas e americanas.”Gentry Beach descreveu Mikhelson, o bilionário presidente da Novatek, como “muito pró-americano” e disse que o seu acordo previa a utilização de uma central móvel de gás natural liquefeito já em construção na fábrica da Novatek na região de Murmansk, na Rússia.
Gentry Beach revelou ainda que vai usar navios quebra-gelo para o transporte de gás natural liquefeito construídos na Coreia do Sul para levar o gás aos mercados asiáticos.
Beach acrescentou que estava a procurar o projeto da Novatek numa perspetiva “puramente comercial”.Rússia atinge infraestruturas de petróleo e gás da Ucrânia
Drones russos atingiram infraestruturas de petróleo e gás da Ucrânia na região central de Poltava, causando danos e um incêndio, revelou esta sexta-feira a empresa estatal de energia Naftogaz.
"Este é mais um ataque direcionado à nossa infraestrutura de petróleo e gás. Desde o início do ano, o inimigo atacou instalações do Grupo Naftogaz mais de 20 vezes", escreveu Sergii Koretskyi, CEO da Naftogaz, numa publicação no Facebook.
Em agosto, Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, reuniram-se no Alasca para negociações com o objetivo de pôr fim à guerra da Rússia na Ucrânia.
As autoridades norte-americanas e russas discutiram diversos potenciais acordos energéticos à margem das negociações. Fontes familiarizadas com as conversações disseram à Reuters que as propostas comerciais visavam encorajar o Kremlin a concordar com um acordo de paz na Ucrânia e Washington a aliviar as sanções contra a Rússia.
Em declarações ao New York Times, Gentry Beach, um empresário do Texas, revelou que tinha assinado discretamente um acordo para que a Novatek desenvolvesse gás natural no Alasca. O documento foi assinado no outono de 2025.
Segundo Gentry Beach o projeto estava nos estágios iniciais e enfrentava obstáculos significativos, recusando-se a divulgar os detalhes financeiros.
Já a Novatek disse ao jornal que estava "de facto a negociar o potencial uso" da sua tecnologia para liquefazer gás natural no remoto norte do Alasca, mas não confirmou que estava a trabalhar com Gentry Beach. Segundo o jornal norte-americano, “o acordo pode representar o primeiro caso conhecido de um investidor americano a formalizar um novo empreendimento comercial com uma grande empresa russa desde que o Kremlin começou a promover oportunidades de negócio para a administração Trump, há um ano.
De um modo geral, as empresas americanas têm-se mantido profundamente céticas em relação à realização de negócios com a Rússia, e a administração Trump impôs novas e significativas sanções à indústria petrolífera russa no último outono”.
Beach é presidente e CEO da empresa de investimento America First Global, que detém participações em energia, mineração e infraestruturas. Ajudou a angariar fundos para a campanha eleitoral de Trump em 2016 e contribuiu para moldar a agenda económica e diplomática America First do Governo.Gentry Beach é amigo de faculdade do filho mais velho do presidente norte-americano, Donald Trump Jr., segundo o New York Times.
Em entrevista ao New York Times, na semana passada, Gentry Beach afirmou que a relação com Donald Trump Jr. não teve qualquer influência no acordo com a Novatek e que não fez "qualquer negócio com os Trump a qualquer nível", e que o seu esforço não fez parte das conversações EUA-Rússia lideradas por Steve Witkoff, o enviado de paz do presidente norte-americano.
Beach revelou ainda que negociou o seu acordo em reuniões no Dubai e na Europa no ano passado com o CEO da Novatek, Leonid Mikhelson, que está sob sanções no Reino Unido e no Canadá, mas não nos Estados Unidos ou na União Europeia.
"É tempo de todos trabalharmos juntos", frisou o empresário descrevendo-se como um "portador da paz".A Novatek, que tem laços estreitos com o Kremlin, mas não é controlada pelo Estado, está sujeita a sanções parciais por parte dos EUA, e algumas das suas subsidiárias enfrentam restrições mais severas.
No entanto, Gentry Beach afirmou que conseguiu avançar legalmente com o acordo porque os Estados Unidos não sancionaram totalmente a própria empresa-mãe da Novatek.
Muitas empresas americanas apressaram-se a terminar as suas relações comerciais com a Rússia após a invasão da Ucrânia em 2022, devido ao aumento das sanções ocidentais e da pressão política.
Sob a Administração Trump, esta pressão diminuiu. Na primavera passada, Trump descreveu o potencial económico da Rússia como uma “tremenda oportunidade”.
Mas, embora o Kremlin estivesse ansioso por restabelecer os laços comerciais, Trump afirmou que os grandes acordos só seriam possíveis depois de a Rússia terminar a guerra na Ucrânia.
Beach afirmou que não estava à espera de se lançar em negociações com a Rússia, porque "quem chega primeiro à oportunidade é geralmente quem ganha dinheiro".
A maior parte do mundo corporativo norte-americano, que outrora via a Rússia como um mercado emergente promissor com uma classe média em crescimento, continua cética quanto ao regresso ao país devido à incerteza política e aos ganhos potenciais limitados.
O projeto de Beach iria abordar um dilema persistente para a indústria energética dos EUA: como vender a enorme quantidade de gás natural produzida na faixa de tundra junto à costa do Oceano Ártico do Alasca, conhecida como North Slope. No entanto, ainda enfrenta grandes obstáculos, incluindo a obtenção da participação de grandes empresas de energia que forneceriam gás para o projeto.
Poderá também competir com os planos apoiados por Trump para um gasoduto de 1.287 quilómetros para transportar gás do North Slope até ao sul do Alasca, onde poderá ser liquefeito e exportado. Beach argumentou que o seu projeto seria complementar ao gasoduto.
O projeto seguiria a abordagem que a Novatek desenvolveu para o transporte de gás do remoto Ártico russo: transformá-lo em gás natural liquefeito numa fábrica pré-fabricada e transportá-lo por quebra-gelo. A Novatek afirmou em comunicado que o clima no Ártico do Alasca era semelhante.
“Os especialistas discutem esta oportunidade há muitos anos”, prosseguiu o comunicado da Novatek enviado ao New York Times. “Dito isto, todos os arranjos só podem ser implementados mediante o apoio das autoridades russas e americanas.”Gentry Beach descreveu Mikhelson, o bilionário presidente da Novatek, como “muito pró-americano” e disse que o seu acordo previa a utilização de uma central móvel de gás natural liquefeito já em construção na fábrica da Novatek na região de Murmansk, na Rússia.
Gentry Beach revelou ainda que vai usar navios quebra-gelo para o transporte de gás natural liquefeito construídos na Coreia do Sul para levar o gás aos mercados asiáticos.
Beach acrescentou que estava a procurar o projeto da Novatek numa perspetiva “puramente comercial”.Rússia atinge infraestruturas de petróleo e gás da Ucrânia
Drones russos atingiram infraestruturas de petróleo e gás da Ucrânia na região central de Poltava, causando danos e um incêndio, revelou esta sexta-feira a empresa estatal de energia Naftogaz.
"Este é mais um ataque direcionado à nossa infraestrutura de petróleo e gás. Desde o início do ano, o inimigo atacou instalações do Grupo Naftogaz mais de 20 vezes", escreveu Sergii Koretskyi, CEO da Naftogaz, numa publicação no Facebook.