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"Alienou EUA e países árabes". Durão Barroso critica posição espanhola

"Alienou EUA e países árabes". Durão Barroso critica posição espanhola

Na Grande Entrevista desta quarta-feira, Durão Barroso avaliou a decisão do Governo espanhol de não permitir o uso das suas bases militares pelos EUA como um "erro grave" que afastou Madrid de Washington e irritou o mundo árabe.

RTP /

No programa “Grande Entrevista”, Durão Barroso defendeu que a Europa tem de assumir “maturidade geopolítica” e decidir se fica ao lado dos Estados Unidos ou de um regime teocrático e opressor como o Irão.

“Nós, europeus, não podemos ser os únicos vegetarianos num mundo de carnívoros”, disse.


“Podemos ou não gostar da administração Trump, mas temos de pensar fora da ideologia. Eles são o nosso maior aliado”, lembrou.

Durão Barroso criticou a decisão de Espanha de não permitir o uso das suas bases militares pelos EUA para atacar o Irão, afirmando que Madrid “não ganhou nada com esta posição”. “Alienou os EUA e os países árabes e está numa posição praticamente isolada na Europa”, afirmou.

“Nós somos obviamente pelo Direito Internacional, mas não somos nós que decidimos se há ou não uma guerra dos EUA contra o Irão”, disse, afirmando que “naquilo que está no nosso controlo, devemos defender o direito internacional. Mas naquilo que está fora do nosso controlo devemos tomar a posição que melhor serve os nossos interesses”.

Já em relação a Portugal, o antigo presidente da Comissão Europeia considera que a utilização da Base das Lajes mostra que o país continua a ser visto como um “aliado credível”.

Lembrando que foi o próprio que negociou, em 1995, o atual acordo de utilização da Base das Lajes pelos EUA, Durão Barroso esclareceu que o documento diz que, “em alguns casos de guerra, os EUA têm que informar ou pedir autorização ao governo português”.

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros disse não ter ficado surpreendido com esta nova ofensiva ao Irão, afirmando que “há muito que Israel procurava convencer os EUA a juntarem-se a eles numa ação contra Irão”.

“Desde que houve o ataque do Hamas contra Israel, Israel viu uma oportunidade de realizar o seu objetivo estratégico: a neutralização completa do Irão, porque o Irão tem como objetivo destruir o Estado de Israel”, explicou.

Durão Barroso não tem dúvidas de que o objetivo é a “neutralização completa do poderio militar do Irão”, afirmando que para Israel “esta é uma questão existencial”.

“Os EUA têm uma oportunidade para destruir este regime. Não necessariamente para o substituir por um regime democrático, mas para aniquilar as capacidades destrutivas do Irão”, disse, afirmando que a morte do líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, “foi muito significativa”.
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