Altermundialistas reunidos em Atenas a partir de 5/a feira
Mais de 15.000 apoiantes de uma globalização alternativa são esperados em Atenas a partir de quinta- feira para o IV Fórum Social Europeu, encontro que os próprios participantes receiam estar ameaçado de asfixia, dada a ausência de resultados concretos.
O Fórum Social Europeu (FSE) realiza-se entre quinta-feira e domingo no amplo complexo desportivo de Hellinikon, a 13 quilómetros do centro de Atenas e conta, no seu programa, com 210 seminários sobre temas como a ajuda ao desenvolvimento, a taxação dos fluxos financeiros, a mobilização contra a guerra, a emancipação das mulheres e o combate à cultura de organismos geneticamente modificados.
A par, serão debatidas questões continentais, como a construção europeia depois da rejeição do Tratado Constitucional europeu e a luta contra a directiva sobre a liberalização dos serviços (Bolkestein).
Entre os protagonistas figuram a ensaísta Susan George, o dirigente da Refundação comunista Fausto Bertinotti, o líder do movimento camponês francês José Bové, o autor do `best-seller` altermundialista "No Logo" Naomi Klein.
Está ainda prevista uma manifestação pacifista, com a guerra no Iraque como alvo principal, convocada para sábado no centro de Atenas.
O FSE define-se como "um dos principais acontecimentos do movimento contra a globalização neoliberal e a guerra, a desregulação laboral e a pobreza, as alterações climáticas e a destruição do ambiente, a violação dos direitos democráticos e a discriminação sexual, o racismo e a ameaça da extrema-direita".
Milhares de pessoas participaram nas três primeiras edições do FSE - 20.000 em Londres (2004), 50.000 em Paris (2003) e 50.000 em Florença (2002) -, em defesa de "um outro mundo" em que a prioridade seja dada às pessoas, em detrimento do lucro.
Mas o presidente honorário da organização altermundialista ATTAC, Bernard Cassen, admitiu que, actualmente, "a fórmula do FSE está um pouco asfixiada" porque, "desde 2002, estes fóruns não foram suficientemente sociais nem suficientemente europeus e, por isso, não tiveram resultados concretos".
"Centrámo-nos demasiado na guerra do Iraque, uma questão importante que ocultou temas europeus como o desemprego ou o modelo social", disse.
Esta preocupação é partilhada por José Bové, que aponta para o "um risco de repetição de um Fórum para o outro". "Defendo que deve haver um Fórum Mundial num ano, e depois um Fórum Europeu, para que estas manifestações não se sobreponham e para que os movimentos sociais tenham tempo para reflectir", disse.
Bernard Cassen considera ainda que os Fóruns Sociais "fazem mais sentido" em África e na América Latina, como os que se realizaram em Porto alegre (Brasil) e Bamako, onde cumprem a função de "juntar os militantes de diferentes países e coordenar a sua acção anti-liberal".
Na Europa, contudo, "as organizações estão mobilizadas e trabalham em rede", disse.