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Amazónia. Ministério Público acusa três homens do homicídio de ativista brasileiro e jornalista britânico

Amazónia. Ministério Público acusa três homens do homicídio de ativista brasileiro e jornalista britânico

O Ministério Público brasileiro acusou formalmente três homens do homicídio do jornalista britânico Dom Phillips e do ativista Bruno Pereira. Os homens encontram-se detidos. De acordo com uma declaração do tribunal, dois confessaram o crime. Os procuradores consideram que o motivo do crime é "frívolo", o que pode contribuir para o agravamento da pena.

RTP /
Bruno Pereira e Dom Phillips foram atacados quando regressavam à cidade de Atalaia do Norte, através do rio Itacoaí DR

Amarildo da Costa Oliveira e Jefferson da Silva Lima confessaram o crime, refere o Ministério Público Federal, enquanto depoimentos de testemunhas confirmaram a participação de Oseney da Costa Oliveira, irmão do primeiro réu. Um quarto homem, Rubens Villar Coelho, apontado como financiador da pesca ilegal na região, não foi acusado. As autoridades ainda investigam se houve quem tivesse ordenado o duplo homicídio.

"O que motivou os assassinatos foi o facto de Pereira ter pedido a Phillips", colaborador do jornal The Guardian, "para fotografar o barco do acusado", refere uma declaração da procuradoria. O facto de o motivo ser considerado “fútil” pelo Ministério Público Federal, pode agravar a pena. O jornalista estava na região, para reunir informações para o livro que estava a escrever, Como salvar a Amazónia, sobre ameaças aos indígenas.

De acordo com o Ministério Público brasileiro, Bruno Pereira, especialista na cultura e nos direitos dos indígenas, e Amarildo da Costa Oliveira, já haviam tido confrontos anteriores devido à alegada prática de pesca ilegal em territórios indígenas por este último.

Antigo funcionário da Fundação Nacional do Índio, Bruno Pereira deixou a Funai para ensinar os indígenas a patrulhar as suas terras e a recolher provas de crime através de fotografias associadas a posição geográfica. Era alvo de ameaças com frequência e andaria armado.

Tanto o brasileiro como o britânico tinham encontrado indígenas perto da entrada da Terra Indígena do Vale do Javari no dia em que foram assassinados. Escreve o jornal The Guardian que Bruno Pereira estava na posse destas provas quando foram atacados. Faziam o trajeto entre a comunidade Ribeirinha São Rafael e o município de Atalaia do Norte, no Amazonas.

Segundo a acusação, Bruno Pereira foi baleado três vezes, uma das quais pelas costas, e "sem possibilidade de defesa". Já Dom Phillips "foi assassinado apenas por estar" com o ativista no Vale do Javari e para encobrir o homicídio anterior, acrescenta a procuradoria.

O duplo homicídio expôs as ameaças que espreitam na Amazónia, em particular no Vale do Javari, uma das regiões com o maior número de grupos de indígenas isolados do mundo e onde a pesca e a caça furtiva convivem com as redes de narcotráfico.

O crime, que ocorreu a 5 de junho, na fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru, chocou o país e foi amplamente condenado por organizações internacionais, associações ambientais e de direitos humanos.

O Ministério Público Federal brasileiro admite que esta região tem registado "o aumento do crime organizado".
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