Ambientalistas identificam bancos que financiaram extração e queima de carvão

Durban, África do Sul, 01 dez (Lusa) - Ambientalistas presentes na cimeira que decorre na África no Sul dedicada às alterações climáticas denunciaram vários bancos por terem financiado, com 232 mil milhões de euros, no espaço de cinco anos, empresas que extraem e queimam carvão.

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"Os números que apurámos demonstram claramente que o financiamento da extração e queima de carvão está a aumentar. Entre 2005 e 2010, o financiamento de operações relacionadas com o carvão quase duplicou. Se não responsabilizarmos os bancos agora, esses financiamentos continuarão a crescer", disse Tristen Taylor, da organização ambientalista Earthlife Africa, um dos grupos que compilaram o relatório "Financiando as Alterações Climáticas", apresentado à margem da cimeira COP17 das Nações Unidas que decorre até dia 09.

Os financiamentos, de acordo com o relatório, foram feitos por 93 instituições financeiras, a 31 empresas mineiras que extraem carvão e 40 produtores de energia que recorrem à queima de carvão, e ascendem a 232 mil milhões de euros.

O carvão, em particular a sua queima, é o inimigo público n.º 1 dos ambientalistas, que o consideram o maior responsável pelas emissões de gases geradores do efeito de estufa. A China e a Índia são os países que queimam mais carvão em todo o planeta.

O país anfitrião da cimeira COP17, a África do Sul, é o 13.º maior poluidor do mundo, libertando para a atmosfera 500 milhões de dióxido de carbono (CO2) por ano e tendo em funcionamento uma dezena e meia de centrais a carvão e duas em construção. Uma delas, Medupi, será uma das maiores do mundo. Cada central geradora de eletricidade queima, em média, 6.800 toneladas de carvão por hora.

Segundo o relatório, os três bancos que mais projetos financiaram foram o JP Morgan Chase (com 16,5 mil milhões de euros), o Citi (13,7 mil milhões de euros) e o Bank of America (12,6 mil milhões de euros).

Seguem-se o Morgan Stanley (12,1 mil milhões de euros), o Barclays (11,5 mil milhões de euros), o Deutsche Bank (11,5 mil milhões de euros), o Royal Bank of Scotland (10,9 mil milhões de euros), o BNP Paribas (10,7 mil milhões de euros), o Credit Suisse (9,5 mil milhões de euros) e o UBS (8,2 mil milhões de euros).

Três bancos chineses - o Bank of China, Industrial and Commercial Bank of China e o China Construction Bank - estão entre os 20 maiores financiadores de projetos de extração e queima de carvão, refere o relatório.

"Curiosamente, quase todos os 20 maiores bancos assassinos do clima na nossa lista já fizeram declarações de grande alcance relativamente ao seu empenho no combate às alterações climáticas mas, no entanto, os números provam que as suas ações não estão de acordo com as suas declarações", salientou, durante a apresentação do documento, Yann Louvel, da organização Banl Track, que monitoriza as atividades dos bancos.

Os níveis de dióxido de carbono na atmosfera aumentaram 2,3 partes por milhão (ppm) entre 2009 e 2010, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Desde os tempos pré-revolução industrial cresceram cerca de um terço e estão agora no seu ponto mais elevado dos últimos 650 mil anos, afirmam os cientistas.

Dois dos maiores bancos sul-africanos, o Standard Bank e o Nedbank, foram também classificados pelos ambientalistas como "bancos assassinos do clima" por terem financiado projetos da Eskom, a empresa estatal de geração e distribuição de eletricidade, responsável pelas centrais sul-africanas e pela exploração de inúmeras minas de carvão, e de outras empresas do ramo.

 

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