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Ambientalistas norte-americanos levantam processo contra FAA por ter autorizado lançamento da Starship
Vários grupos ambientais norte-americanos juntaram-se ontem e apresentaram no tribunal distrital federal uma ação judicial contra a Agência Federal de Aviação americana (Federal Aviation Administration) com o argumento de que a agência FAA fez uma má revisão ambiental dos lançamentos da Starship, na base de lançamento da SpaceX, em Boca Chica, no Texas.
Esta ação procura revogar novas licenças e autorizações para lançamento dos protótipos da SpaceX , na base de Boca Chica.
De acordo com os queixosos este lançamento causou danos ao próprio local de lançamento, “espalhando pedaços de concreto e metal, bem como cinzas e areia, sobre uma grande área”, incluindo habitats próximos usados por espécies protegidas de aves migratórias.
SpaceX refere agora que está a tomar medidas para evitar danos semelhantes na plataforma de lançamento e a criação de detritos em lançamentos futuros, como a instalação de um sistema de dilúvio de água. Contando a empresa poder estar pronta para novo lançamento dentro de alguns meses, mas tudo vai depender da aprovação por parte da Agência Federal de Aviação americana – FAA.
Os ambientalistas querem também que seja feita uma nova revisão ambiental, alegando que o último lançamento, apesar de ter passado nos critérios da FAA aprovados em junho de 2022, violou a Lei de Política Ambiental Nacional, permitindo que a SpaceX realizasse lançamentos, desde que realizasse as mitigações prescritas.
A acão dos queixosos refere por exemplo que “a FAA falhou em avaliar completamente os impactos no meio ambiente de lançamentos, bem como falhas de lançamento, do veículo Starship/Super Heavy.”
Uma alusão clara aos estragos feitos pelo impulso do propulsor “Booster 7”, no lançamento do protótipo da Starship, que ‘rasgou e escavou’ grande parte da base de cimento que servia de apoio, enviando detritos e criando uma nuvem de areia e poeira, a várias centenas de metros do local de lançamento.
Neste processo os ambientalistas acrescentam ainda que a FAA também não levou em consideração os encerramentos prolongados das estradas e acessos ao local da ‘Starbase’ e à praia pública vizinha, argumentando os ativistas ser contrário às leis do estado do Texas, que determinam um livre acesso a essas praias.
Jared Margolis, advogado do Center for Biological Diversity e principal autor da ação queixa-se que este lançamento veio criar um forte impacto na vida selvagem local referindo que "as autoridades federais devem defender a vida selvagem vulnerável e as comunidades da linha de frente, não dar passagem aos interesses corporativos que desejam usar paisagens costeiras valiosas como depósito de lixo espacial.”
O processo cita o lançamento de 20 de abril, que terminou com a explosão controlada, a uma altitude de mais de 30 quilómetros acima do Golfo do México, a leste do local de lançamento,quatro minutos após a descolagem do protótipo da SpaceX – Starship24.
O US Fish and Wildlife Service apresentou num comunicado, publicado a 26 de abril, uma avaliação dos danos provocados pelo lançamento.
Neste documento é referido que foram encontrados detritos espalhados por uma área de 1,5 km2 dentro do espaço da SpaceX, mas também num parque local, Boca Chica State Park.
Mas se os detritos, mais pesados ocuparam uma boa área, o relatório da US Fish and Wildlife Service diz que a nuvem de detritos criada pelo “Booster 7” depositou material semelhante a areia a mais de 10 quilómetros a noroeste do lançamento. Além de evidências de um pequeno foco de incêndio florestal causado pelo lançamento nas proximidades do bloco.
No entanto, a agência diz não ter encontrado evidências de pássaros ou outros animais selvagens mortos pelo lançamento.
Uma foto incluída numa declaração da American Bird Conservancy, sobre o processo, mostrou um ninho de ovos que parecia ter sido queimado, mas a organização não informou quando a foto foi tirada ou a que espécie de ave os ovos pertenciam.
Entre os argumentos de queixa está também a questão de uma avaliação inadequada perante alternativas ao lançamento de Boca Chica, como por exemplo o lançamento do Centro Espacial Kennedy, na Florida.
Para além da Biological Diversity, outras organizações tais como a American Bird Conservancy, a Surfrider Foundation, a Save RGV e a Carrizo/Comecrudo Nation of Texas, Inc., uma organização que representa grupos indígenas americanos locais, juntaram-se a este processo contra a FAA.
Neste processo judicial apenas a FAA, bem como o seu administrador interino, Billy Nolen, são os únicos visados como réus. A SpaceX não é aqui referida em ponto nenhum.
Numa conversa de áudio apresentada no Twitter em 29 de abril , o presidente-executivo da SpaceX, Elon Musk, disse que os destroços e a nuvem de detritos não estavam de forma alguma previstos.
Uma avaliação feita com base nos resultados de testes anteriores que mostraram apenas uma erosão modesta do bloco de cimento. “Se tivéssemos previsto - que no lançamento os 33 motores do Booster 7 - iriam cavar um buraco, não teríamos voado”, explica Elon Musk.
O CEO da SpaceX explica que os que se observou era “basicamente areia e pedras”, embora o material particulado possa causar problemas respiratórios.