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Ameaça de golpe de Estado na Arábia Saudita leva Bin Salman a tomar medidas
O príncipe herdeiro saudita, fragilizado após o caso Khashoggi, tem preparado as Forças Armadas no seguimento de rumores de uma eventual dissidência dentro da família real.
Há vários rumores que apontam para que alguns membros do reino estejam a planear um golpe de Estado.
A informação chega numa altura em que Mohammad Bin Salman está na Argentina, onde vai participar na Cimeira do G20. Antes chegar à Argentina, o príncipe herdeiro realizou um périplo por vários países árabes. A comunidade internacional tem colocado a hipótese de impor sanções à Arábia Saudita pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi no consulado saudita em Istambul, no passado mês de outubro. Ao que tudo indica a mando de Bin Salman.
As tropas foram desviadas das províncias do leste e oeste para a capital, Riade, num movimento que parece destinar-se a impedir um eventual golpe de Estado na ausência do príncipe.
“Desde o caso Khashoggi tem havido rumores de que alguns membros da família real tiveram conversas sobre a necessidade de substituir a liderança do país ou pelo menos a estrutura de liderança”, afirmou Gerald Fierstein, vice-presidente do Instituto do Médio Oriente, em Washington.
Para Fierstein, “não seria surpreendente que algum tipo de conversa tivesse chegado aos ouvidos de Mohammad Bin Salman para o fazer questionar a lealdade de alguns membros da família à sua liderança”.
A repressão do príncipe herdeiro à oposição interna aumentou no ano passado quando Bin Salman mandou prender vários membros da família real e outros “dissidentes” no Hotel Ritz Carlton, em Riade.
Desde essa altura, outras purgas ocorreram, dando a alguns membros da família real, nomeadamente ao príncipe Ahmed bin Abdulaziz Al Saud, motivos para passar grandes temporadas no exterior. No entanto, Ahmed, que manifestou vontade de reformar o Governo saudita, regressou, no final de outubro, à Arábia Saudita depois de durante meses ter residido no Reino Unido. À sua chegada a Riade foi recebido calorosamente por Bin Salman.
Segundo o jornal saudita Mujtahid, “se o príncipe Ahmad tivesse anunciado a retirada do rei Salman do poder, 95 por cento da família real ter-lhe-ia jurado fidelidade”.