América do Norte tenta parar ameaça da vespa asiática

Cientistas e apicultores norte-americanos mostram a sua preocupação com o avanço da vespa asiática em território americano. Uma espécie invasiva, que já está na Europa, e que agora chega aos Estados Unidos. As colmeias são as principais preocupações, com muitos a tentarem travar a criação e crescimento de ninhos de vespas asiáticas.

RTP /
Reuters

Muitos são os que investigam as consequências do alastramento da vespa asiática na América do Norte. Desde setembro que um casal de apicultores tem explorado o raio de ação do animal e os problemas que tem causado às suas colmeias, na zona de Nanaimo, no Canadá.

Quando os ninhos de vespa asiática foram descobertos, o casal propôs-se  explicar como animal havia chegado àquela zona. Com o alerta dado, funcionários governamentais da zona tentam usar aparelhos sofisticados para travar a propagação dos ninhos de vespa asiática e salvar colmeias.

Desde o primeiro avistamento, Paul van Westerndorp, o apicultor chefe da Colúmbia Britânica, tem recebido testemunhos do aparecimento de mais ninhos. Depois de Nanaimo, a vespa asiática também já foi vista nas cidades de White Rock e Langley.

Apesar do perigo que detecta, Paul van Westerndorp mostra admiração pela espécie invasora. “Olho de perto este animal e é fascinante. É claro, a beleza está nos olhos de quem a vê – mas é uma peça incrível de engenharia”, declarou o apicultor.

A vespa asiática é predadora, o seu objetivo é dominar um ecossistema. Os apicultores começam a mostrar preocupação. Apesar da luta contra alguns ninhos, a verdade é que a vespa asiática continua a alastrar rapidamente e muitos tentam manter a calma para salvar as colmeias.

Análises realizadas nas espécies encontradas até ao momento mostram que pelo menos uma veio da Coreia do Sul e outra do Japão. Até agosto de 2019 ainda não tinham sido avistados ninhos de vespa asiática no Canadá e ninguém sabe qual a rota deste animal pelo Pacífico para ter chegado ao território.

Uma boa parte das mercadorias é fumigada com dióxido de carbono para matar insetos mas, por exemplo, os carros podem ser um esconderijo para levar a vespa asiática, de acordo com van Westerndorp. Outros acreditam que a espécie pode ter chegado através de compartimentos em tanques de petróleo e cargas de flores. “[A vespa asiática] apenas precisa de um pequeno espaço, essencialmente o espaço do seu corpo”.

Com a chegada da vespa asiática, assistiu-se a uma campanha mediática devido à picada do animal em humanos e ao facto de poder matar humanos com o seu veneno. No entanto, os especialistas acreditam que o perigo para a população humana é muito baixo. “A maioria dos ataques acontece a pessoas que de forma inadvertida pisam os ninhos”.

Apesar do risco baixo para humanos, o risco é considerável para as abelhas, essenciais para manter no ativo vários ecossistemas. A vespa asiática alimenta-se das larvas de abelhas e poucas dezenas deste animais podem decapitar em minutos milhares de abelhas e colmeias inteiras.

A abelha japonesa já desenvolveu uma tática para se proteger da vespa asiática – as abelhas fazem os seus corpos vibrar, enquanto se amontoam em cima da vespa, matando-a a através do calor. No entanto, as abelhas europeias e norte-americanas não têm qualquer defesa.

Apesar das dificuldades em conter a ameaça, os cientistas na Colúmbia Britânica mostram-se otimistas com a luta encetada. Estão a ser usadas armadilhas em forma de garrafas para capturar a espécie invasora. Depois será implantado um dispositivo de rádio para saber onde está o ninho, que então será erradicado.

Nos Estados Unidos também já começa a haver preocupações para encontrar a espécie, mas o trabalho mais eficaz é feito através de tecnologias menos sofisticadas, e na preparação de colmeias para o verão que se avizinha.
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