Amesterdão. Red Light com campanha para afastar turistas desordeiros e traficantes

Em maio, é lançada a campanha "Stay Away" para dissuadir os visitantes a Amesterdão interessados apenas em drogas, sexo e álcool. As novas medidas adotadas na capital dos Países Baixos pretendem tornar o bairro Red Light District menos inseguro.

Carla Quirino - RTP /
Burgwallen Oost Carla Quirino - RTP

Numa tentativa de dissuadir os chamados “turistas incómodos”, o trabalho sexual vai estar sujeito ao toque de recolher mais cedo e o consumo de canábis na rua será proibido.

As novas regras vão coincidir com uma campanha de imagem, que pretende promover a importância do respeito e desencorajar os visitantes estrangeiros que “só vêm a Amesterdão para beber, drogas e sexo”.

Em abril as portas dos estabelecimentos de diversão já começaram a fechar mais cedo e em maio arranca a campanha "Stay Away" dirigida a turistas desordeiros.

Para lidar com a superlotação e o "excesso de turismo", a autarquia também  limitará o número de cruzeiros fluviais e propriedades para alugar do Airbnb, com muitos hotéis sendo reaproveitados em edifícios residenciais e de escritórios.
Campanha Stay Away turistas

De acordo com as contas dos serviços de turismo holandeses, estima-se que o país tenha recebido cerca de 20 milhões de turistas no ano de 2019. Entre os visitantes, muitos estão os interessados em frequentar os cafés onde se consome canábis e as zonas de prostituição de Amesterdão.

Só na capital, o número de turistas chega a atingir 822 mil pessoas durante a época alta.

Os moradores dos bairros mais turísticos começaram a levantar preocupações sobre o grande, e sempre crescente, número de foliões, que procuram a diversão e excessos. Após consultar os residentes e empresários, a autarquia de Amesterdão decidiu implementar novas regras integradas na campanha "Stay Away" – para estimular a redução de turistas.
Novas regras
A partir de maio, as ruas que constituem o famoso Bairro da Luz Vermelha vão estar sujeitas a novas regras.

As profissionais do sexo terão que fechar as montras às 3h00.

Os restaurantes - bares vão passar a encerrar às 2h00 nas sextas e sábados. Depois da 1, não será permitida a entrada a novos visitantes.

Até aqui, a venda de álcool em lojas de bebidas e cafés no Red Light District era ilegal - de quinta a domingo, após as 16h00. Com as novas medidas, os vendedores terão que remover completamente o álcool das vitrines, ou tapá-lo, durante esse período.

No geral, está estabelecido que é ilegal consumir álcool na maioria dos espaços públicos na cidade.
Coffee Shops
A legalidade do consumo de canábis nos conhecidos coffe shops dos Países Baixos atraem milhões de visitantes todos os anos.

Os holandeses têm uma "política de tolerância" que permite que as cafetarias vendam canábis sob condições estritas. Uma dessas condições é que os coffee shops não causem incómodo mas os moradores reclamam que essa “tolerância” a par da oferta do turismo de sexo está a trazer insegurança ao bairro.

A comunidade alega que a procura do consumo de drogas atrai traficantes de rua e consequentemente os excessos conduzem a distúrbios.

A nova conduta legal irá punir quem fumar nos exteriores dos coffee shops. Na rua do bairro já existem diversos alertas para os visitantes não comprarem droga a traficantes.

 
As novas regras são reforçadas com avisos da ilegalidade do ato de comprar droga a vendedores de rua | Carla Quirino - RTPUm novo "centro erótico"
Em estudo está a construção de um novo espaço para transferir as profissionais do sexo do bairro da Luz Vermelha
. Um dos locais propostos localiza-se no distrito comercial sul de Amesterdão.

Quem não concorda com esta proximidade é a Agência Europeia do Medicamento (AEM) que tem a sede muito próxima da área apontada.

A AEM entende que a construção de um edifício com vários andares, para encher com pelo menos 100 espaços de venda de sexo e bares, atrairá milhões de pessoas e por isso não se coaduna com a segurança da agência.

“A AEM está a agir ao mais alto nível político e diplomático apropriado, em total coordenação com a Comissão Europeia, para garantir um ambiente de trabalho seguro para funcionários e especialistas”, sublinhou um porta-voz da AEM à agência noticiosa ANP.

A presidente do município de Amesterdão, Femke Halsema, respondeu que o espaço, a ser construído nesse bairro, irá pelo menos existir um quilómetro entre a EMA e os dois locais próximos. E acrescentou que “a polícia vê poucos riscos de segurança e o trabalho sexual será dentro de casa, sem audiência de rua como no distrito da Luz Vermelha”, de acordo com o jornal holandês Het Parool.
E as trabalhadoras do sexo
Quem também está contra os planos municipais são as trabalhadoras do sexo do velho bairro. De acordo com um grupo de lobby conhecido como Red Light United, 90 por cento das 170 trabalhadoras do sexo entrevistadas querem continuar a trabalhar no atual tradicional.

“De modo nenhum”, reividicou Foxxy, uma trabalhadora do sexo, ao saber dos planos de Halsema. “As profissionais do sexo são pessoas e têm direito a um local de trabalho. A realocação desses locais de trabalho não é uma opção, porque os clientes não saberão onde encontrar as profissionais do sexo. Halsema também organizará viagens de autocarro para a nova zona de Amesterdão?”, ironiza Foxxy.

Montras onde as trabalhadoras do sexo se expõe, assinaladas com a luz neon vermelha | Carla Quirino - RTP

O trabalho sexual “pertence a Amesterdão e nunca vai acabar”, defende Halsema, em comunicado no mês passado, “mas a situação no centro da cidade é insustentável devido ao fluxo de turistas que regularmente se comportam mal e causam incómodo”.

O novo centro aliviará a pressão sobre o antigo distrito da Luz Vermelha e criará “um lugar extraordinário onde profissionais do sexo podem trabalhar com segurança, legalidade e sem perturbações, e os visitantes podem esperar uma ampla oferta de erotismo, cultura e entretenimento”, reiterou a autarca.
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