Amigo de ministro brasileiro contou com juros baixos para exportar para Angola

Um empresário amigo do ministro brasileiro da Fazenda, Antonio Palocci, conseguiu um financiamento do Banco do Brasil (BB) de 7,2 milhões de euros a juros baixos para exportar equipamentos agrícolas para Angola, divulgou hoje a Folha de São Paulo.

Agência LUSA /

De acordo com o jornal, para conseguir o financiamento através do Programa de Financiamento às Exportações (Proex), o empresário Roberto Colnaghi apresentou uma carta de crédito de 9,4 milhões de euros do banco português BPN.

A operação de crédito através do Proex é muito mais vantajosa do que através de bancos comerciais, que cobram taxa de 10 por cento ao ano para um financiamento de exportação com prazo de seis meses.

A taxa de juros desta mesma operação no Proex seria de dois a três por cento ao ano.

Segundo a reportagem, entre o pedido do financiamento, em 2001, e a libertação dos recursos, este ano, Roberto Colnaghi foi recebido no Banco do Brasil, em Brasília, numa reunião agendada por um assessor especial do ministro Palocci.

O empresário nega e disse que nunca se encontrou com a direcção do BB, nem recebeu qualquer ajuda de assessores do ministro da Fazenda.

De acordo com o jornal, mesmo antes de obter o empréstimo do Banco do Brasil, as exportações de duas empresas de Colnaghi para Angola "já eram um fenónemo".

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a Asperbras Nordeste e a Asperbras Bahia saltaram do 58º e 168º lugares, na lista dos exportadores para Angola em 2003, para a 8ª e 9ª posições, respectivamente, no ano passado.

Uma terceira empresa de Roberto Colnaghi, a Agripek Tecnologias passou a integrar o "ranking" em 2004, ocupando o 15º lugar.

O empresário conheceu Antonio Palocci, em 2001, quando ele ocupava o cargo de presidente da Câmara da cidade paulista de Ribeirão Preto, segundo a reportagem da Folha de São Paulo.

Roberto Colnaghi é um dos donos do jacto que Palocci usou na campanha presidencial do Partido dos Trabalhadores, em 2002, e pelo menos duas vezes quando já era ministro da Fazenda.

O empresário também é proprietário de um avião de menor porte que, de acordo com a revista Veja, teria sido usado pelo PT para transportar dólares recebidos de Cuba para a campanha do presidente Lula da Silva.

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