Amnistia denuncia impunidade dos crimes durante "guerra contra o terror"

Amnistia denuncia impunidade dos crimes durante "guerra contra o terror"

A Amnistia Internacional (AI) denunciou hoje, por ocasião dos 25 anos do 11 de Setembro, que os crimes cometidos em nome da "guerra contra o terror", após a resposta dos Estados Unidos aos atentados, não foram julgados.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Amnistia Internacional

Segundo a organização não-governamental (ONG), a reação aos atentados da Al-Qaeda "não procurou um mundo regido pela justiça e pelos direitos humanos" e representou um "cheque em branco" para violações de direitos.

"Perante o horror daquele crime contra a humanidade que chocou o mundo inteiro, os governos não optaram por reforçar as regras para nos proteger do horror, mas sim por as descartar", lamentou Esteban Beltrán, diretor da Amnistia Internacional em Espanha.

Beltrán sublinhou que a decisão "continua a ter consequências letais 25 anos depois" e recorda que foi autorizado "o uso de tortura pelos Estados Unidos nas suas operações no estrangeiro", bem como "detenções em prisões secretas, assassinatos seletivos, detenções indefinidas durante décadas sem acusação formal, julgamentos sem garantias em tribunais militares e espionagem em massa de pessoas inocentes".

O responsável da AI apontou também a invasão do Afeganistão e do Iraque pelos Estados Unidos, o que "resultou em muitas outras violações dos direitos humanos".

"O cheque em branco para cometer violações dos direitos humanos em nome da segurança, concedido na altura pelo Congresso a George Bush, continua a ser válido hoje com Donald Trump", acrescentou a Amnistia Internacional, alertando para a erosão da "legalidade vigente em prol de um suposto bem futuro".

"As atrocidades cometidas nessa época podem encontrar reflexos no mundo atual: a autorização para o uso da tortura, então, reflete-se hoje em execuções extrajudiciais perpetradas impunemente pelos Estados Unidos em ataques a embarcações que partem da Venezuela e do Equador", apontou Beltrán.

O espanhol lembrou que as ambições do atual Presidente norte-americano em relação à Gronelândia ou a conivência de empresas tecnológicas em campanhas militares são reflexos da dinâmica iniciada logo após os atentados de 11 de Setembro.

 

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