Anamola submete queixa-crime contra polícia moçambicana por homicídio dos seus membros
O partido Anamola, do político moçambicano Venâncio Mondlane, submeteu hoje uma queixa-crime ao Ministério Público contra membros da polícia, acusando-os de "perseguições políticas" e de ter assassinado dois coordenadores daquela formação.
"Foram assassinados dois membros de forma brutal, mas é preciso compreender que o Anamola [Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo] perde membros um pouco por cada província e nós estamos aqui para reafirmar que é preciso que se pare com essas perseguições políticas, porque os números estão a tornar-se alarmantes e é preciso ter a consciência das consequências desses atos", disse o secretário-geral do partido, Messias Uarene, à porta da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Maputo.
Segundo Uarene, dois coordenadores do partido foram assassinados há uma semana no distrito de Luabo, província da Zambézia, centro de Moçambique, com o Anamola avançar hoje com esta queixa-crime na PGR, acusando membros da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) e da Polícia da República de Moçambique (PRM) de perseguir e assassinar os seus dirigentes.
"Temos acompanhado praticamente em todas as províncias uma onda clara de intimidação por parte de membros na sua maioria ligados ao Estado moçambicano, falamos particularmente de membros da UIR, da PRM e também uma certa presença de tribunais que prendem nossos membros sem clareza e esses processos têm-se intensificado", alertou o secretário-geral do partido, aos jornalistas.
O partido Anamola classificou os assassínios como "bárbaros", pedindo o fim às perseguições, referindo que minam a democracia.
"Nós prometemos dar entrada hoje e já fizemos uma queixa-crime na procuradoria e esperamos que esse processo seja seguido com muita seriedade. O partido Anamola não pode permitir que num Estado democrático ações de perseguição, baleamento dos seus membros sejam consideradas coisa normal", disse Messias Uarene, lembrando que a violência mina os esforços da paz.
"Nós como Anamola reiteramos o nosso compromisso com a democracia (...) aos nossos homólogos, aos partidos políticos, convidamos a desenvolver um ambiente de convivência pacífica e não se deixem iludir pelo caminho da violência, porque este caminho pode destruir a paz que estamos dia e noite a tentar manter", disse o secretário-geral do partido.
Em 09 de janeiro, Venâncio Mondlane denunciou que no último ano foram assassinados 45 elementos associados ao seu projeto político Anamola, desde agosto transformado em partido político.
"Foram assassinados 45 quadros do nosso projeto, ainda na altura, político, que hoje já é um partido efetivo, que é o partido Anamola. E até hoje não há respostas", disse à Lusa, a propósito da passagem de um ano do regresso a Maputo, em 09 de janeiro de 2025, após mais de dois meses fora do país, alegando questões de segurança após as eleições gerais de 09 de outubro, em que foi candidato presidencial.
O partido Anamola foi aprovado em 15 de agosto pelo Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos de Moçambique, num pedido de registo que deu entrada em abril. O partido anunciou que vai eleger o seu presidente no congresso de junho de 2026, prometendo um processo democrático em que todos podem concorrer.
Moçambique viveu durante mais de cinco meses após as eleições gerais de 09 de outubro um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações convocadas por Mondlane, que nunca reconheceu os resultados eleitorais.
Segundo organizações não-governamentais que acompanham o processo eleitoral, morreram mais de 400 pessoas em confrontos com a polícia, conflitos que cessaram após dois encontros entre Mondlane e Chapo, com vista à pacificação do país.