Mundo
ANC demite Julius Malema, líder da juventude
Conhecido pelas suas tiradas bombásticas e controversas, Julius Malema tornou-se nos últimos anos um dos piores críticos do próprio Presidente Jacob Zuma, líder do ANC e do governo sul africano. Após uma audição disciplinar, o ANC acaba de considerar Malema culpado de desacreditar o partido. Demitiu-o da liderança da Liga da Juventude e suspendeu-o por cinco anos.
"A falta de disciplina não é uma cura para a frustração", considerou Derek Hanekom, que liderou a audição disciplinar de Malema. Este foi suspenso por exigir a mudança do governo do vizinho Botswana - uma posição que contraria a política partidária e governamental do ANC.
"Esta desobediência mina a eficiência do ANC" considerou ainda Hanekon.
Malema tem 14 dias para apelar da decisão do ANC mas, como já estava suspenso devido a declarações recentes de apoio ao Presidente Mugabe, do Zimbabue, a demissão da liderança da Liga da Juventude do ANC tem efeitos imediatos.
O porta-voz da Liga, Floyd Shivambu, foi também suspenso por três anos.
Julio Malema estava a fazer um exame em estudos políticos na Universidade da sua cidade de origem, Polokwane e não reagiu de imediato à sentença.
A segurança na sede do ANC foi reforçada mas não há notícia de multidões da juventude partidária, como houve no inicio da audição, em Agosto. Na altura milhares de apoiantes de Malema envolveram-se em confrontos com a polícia e queimaram camisas com a efígie de Jacob Zuma.
Hoje, apenas alguns apoiantes se reuniram para protestar à porta da sede do ANC.
Discurso de ódio
Malema começou por ser um dos principais aliados de Jacob Zuma. Mas acabou por se tornar um espinho no pé do Presidente, acusando-o de ignorar os sul africanos pobres que o levaram ao poder, em 2009.
O ex-líder da Liga da Juventude exige que Zuma seja substituído na liderança do ANC nas eleições partidárias do próximo ano e antes das eleições legislativas de 2014.
Julius organizou e liderou várias manifestações da juventude do ANC. A mais recente, a 27 de outubro de 2011, percorreu as ruas de Joanesburgo exigindo mais empregos e uma maior distribuição das riquezas sul africanas.
Malema é uma figura que semeia discórdia na Africa do Sul. Tido em tempos como o futuro líder do país, pelo próprio Jacob Zuma, é considerado pelos detractores como um "populista imprudente" com o potencial de desestabilizar a África do Sul e provocar conflitos raciais.
Alguns analistas consideram que a demissão de Malema vai beneficiar a reeleição de Zuma, mostrando que este controla o partido e protege os interesses económicos e internacionais sul-africanos. O ANC comemora 100 anos em Janeiro de 2012 e os seus atuais responsáveis querem mostrar que não é um jovem líder indisciplinado a ditar as suas políticas.
O afastamentp da liderança da juventude do ANC, torna mais difícil a Malema influenciar a eleição da nova liderança do partido.
Segundo o analista político Nick Borain, a suspensão "é claramente boa para o ANC, para a sua imagem, para a sua coesão interna e para a reputação da sua liderança. O comportamento megalómano e estridente da Liga da juventude e da sua liderança individual e o seu envolvimento na pilhagem dos recursos do sector público por detrás de uma fachada de representação dos interesses dos mais pobres e marginalizados causou danos profundos na reputação e nos valores centrais do ANC".
Discurso de ódio
Além da sua irreverência e indisciplina, Malema é ainda criticado por levar um estilo de vida principesco numa das zonas mais ricas e exclusivas de Joanesburgo.
Nascido a três de março de 1981, Julius entrou para o ANC aos nove anos e ali adquiriu treino militar. Em 2008 foi eleito líder da Juventude do ANC e jurou "matar por Zuma".
Desde então, os discursos e declarações públicas de Malema deixaram transparecer uma profunda hostilidade face aos brancos e a outros grupos minoritários, como os indianos, o que levou muitos a considerar que a extraordinária herança de reconciliação e inclusão deixada por Nelson Mandela estava em vias de ser perder para sempre.
Em 2009, Malema considerou que uma mulher alegadamente violada por Zuma tinha "passado um bom bocado", o que lhe valeu uma ação disciplinar. No mesmo ano, exigiu a nacionalização das minas e a expropriação sem indemnização das terras agrícolas na posse dos brancos.
Para muitos analistas económicos e empresários de grande dimensão, estes apelos levaram muitos agentes económicos a suspender investimentos na África do Sul receando que o líder da Juventude do partido no poder pudesse vir a ter uma influência decisiva nas futuras políticas dos executivos dominados pelo ANC.
Em Maio de 2010, Malema foi obrigado a pedir desculpas publicas após uma viagem ao Zimbabué durante a qual exprimiu o apoio do ANC ao Presidente Mugabe, numa altura em que Jacob Zuma mediava conversações entre os membros da coligação do país. Foi disciplinado com sentença suspensa por dois anos, mas não acalmou.
Já em 2011, o seu hino "Shoot the Boer", dos tempos anti-apartheid ("Matem o agricultor branco"), foi considerado discurso de ódio pelo Tribunal e abolido.
Julius Malema está ainda a ser investigado por uma unidade anti-corrupção devido a irregularidades na atribuição de contratos governamentais a empresas da sua província do Limpopo. Malema nega as acusações.
O acordão
O acórdão final do processo disciplinar interno instituído contra Malema, hoje divulgado na sede do partido em Joanesburgo, salienta que "a conduta de Malema teve um impacto negativo nas relações internacionais e inter-Estados, e estava a ser prejudicial para a África do Sul no seu todo".
O acórdão condena Malema, de facto, a duas penas separadas mas simultâneas: uma suspensão por dois anos que estava "suspensa" desde 2010, quando foi condenado pelo partido por criticar Zuma, mas sujeito à imposição imediata da sentença de dois anos de suspensão se prevaricasse num período de dois anos, e cinco anos de suspensão pelo novo processo disciplinar.
"Esta desobediência mina a eficiência do ANC" considerou ainda Hanekon.
Malema tem 14 dias para apelar da decisão do ANC mas, como já estava suspenso devido a declarações recentes de apoio ao Presidente Mugabe, do Zimbabue, a demissão da liderança da Liga da Juventude do ANC tem efeitos imediatos.
O porta-voz da Liga, Floyd Shivambu, foi também suspenso por três anos.
Julio Malema estava a fazer um exame em estudos políticos na Universidade da sua cidade de origem, Polokwane e não reagiu de imediato à sentença.
A segurança na sede do ANC foi reforçada mas não há notícia de multidões da juventude partidária, como houve no inicio da audição, em Agosto. Na altura milhares de apoiantes de Malema envolveram-se em confrontos com a polícia e queimaram camisas com a efígie de Jacob Zuma.
Hoje, apenas alguns apoiantes se reuniram para protestar à porta da sede do ANC.
Discurso de ódio
Malema começou por ser um dos principais aliados de Jacob Zuma. Mas acabou por se tornar um espinho no pé do Presidente, acusando-o de ignorar os sul africanos pobres que o levaram ao poder, em 2009.
O ex-líder da Liga da Juventude exige que Zuma seja substituído na liderança do ANC nas eleições partidárias do próximo ano e antes das eleições legislativas de 2014.
Julius organizou e liderou várias manifestações da juventude do ANC. A mais recente, a 27 de outubro de 2011, percorreu as ruas de Joanesburgo exigindo mais empregos e uma maior distribuição das riquezas sul africanas.
Malema é uma figura que semeia discórdia na Africa do Sul. Tido em tempos como o futuro líder do país, pelo próprio Jacob Zuma, é considerado pelos detractores como um "populista imprudente" com o potencial de desestabilizar a África do Sul e provocar conflitos raciais.
Alguns analistas consideram que a demissão de Malema vai beneficiar a reeleição de Zuma, mostrando que este controla o partido e protege os interesses económicos e internacionais sul-africanos. O ANC comemora 100 anos em Janeiro de 2012 e os seus atuais responsáveis querem mostrar que não é um jovem líder indisciplinado a ditar as suas políticas.
O afastamentp da liderança da juventude do ANC, torna mais difícil a Malema influenciar a eleição da nova liderança do partido.
Segundo o analista político Nick Borain, a suspensão "é claramente boa para o ANC, para a sua imagem, para a sua coesão interna e para a reputação da sua liderança. O comportamento megalómano e estridente da Liga da juventude e da sua liderança individual e o seu envolvimento na pilhagem dos recursos do sector público por detrás de uma fachada de representação dos interesses dos mais pobres e marginalizados causou danos profundos na reputação e nos valores centrais do ANC".
Discurso de ódio
Além da sua irreverência e indisciplina, Malema é ainda criticado por levar um estilo de vida principesco numa das zonas mais ricas e exclusivas de Joanesburgo.
Nascido a três de março de 1981, Julius entrou para o ANC aos nove anos e ali adquiriu treino militar. Em 2008 foi eleito líder da Juventude do ANC e jurou "matar por Zuma".
Desde então, os discursos e declarações públicas de Malema deixaram transparecer uma profunda hostilidade face aos brancos e a outros grupos minoritários, como os indianos, o que levou muitos a considerar que a extraordinária herança de reconciliação e inclusão deixada por Nelson Mandela estava em vias de ser perder para sempre.
Em 2009, Malema considerou que uma mulher alegadamente violada por Zuma tinha "passado um bom bocado", o que lhe valeu uma ação disciplinar. No mesmo ano, exigiu a nacionalização das minas e a expropriação sem indemnização das terras agrícolas na posse dos brancos.
Para muitos analistas económicos e empresários de grande dimensão, estes apelos levaram muitos agentes económicos a suspender investimentos na África do Sul receando que o líder da Juventude do partido no poder pudesse vir a ter uma influência decisiva nas futuras políticas dos executivos dominados pelo ANC.
Em Maio de 2010, Malema foi obrigado a pedir desculpas publicas após uma viagem ao Zimbabué durante a qual exprimiu o apoio do ANC ao Presidente Mugabe, numa altura em que Jacob Zuma mediava conversações entre os membros da coligação do país. Foi disciplinado com sentença suspensa por dois anos, mas não acalmou.
Já em 2011, o seu hino "Shoot the Boer", dos tempos anti-apartheid ("Matem o agricultor branco"), foi considerado discurso de ódio pelo Tribunal e abolido.
Julius Malema está ainda a ser investigado por uma unidade anti-corrupção devido a irregularidades na atribuição de contratos governamentais a empresas da sua província do Limpopo. Malema nega as acusações.
O acordão
O acórdão final do processo disciplinar interno instituído contra Malema, hoje divulgado na sede do partido em Joanesburgo, salienta que "a conduta de Malema teve um impacto negativo nas relações internacionais e inter-Estados, e estava a ser prejudicial para a África do Sul no seu todo".
O acórdão condena Malema, de facto, a duas penas separadas mas simultâneas: uma suspensão por dois anos que estava "suspensa" desde 2010, quando foi condenado pelo partido por criticar Zuma, mas sujeito à imposição imediata da sentença de dois anos de suspensão se prevaricasse num período de dois anos, e cinco anos de suspensão pelo novo processo disciplinar.