Andrés Esono é candidato da oposição às presidenciais da Guiné Equatorial
O secretário-geral do partido da oposição Convergência para a Democracia Social (CPDS) da Guiné Equatorial, Andrés Esono, apresentou a candidatura às eleições presidenciais de 20 de novembro, foi hoje anunciado.
"Ontem [segunda-feira] apresentei a minha candidatura às eleições presidenciais de 20-N. Não posso deixar o povo sozinho num momento tão difícil e diante de falsas promessas e assédio à população por parte do PDGE [Partido Democrático da Guiné Equatorial]", afirmou o líder da oposição por volta da meia-noite desta terça-feira, através da rede social Twitter.
"A mudança só é possível se as pessoas estiverem envolvidas na luta pela sua própria liberdade", acrescentou Andrés Esono.
O anúncio ocorre num momento de crise, desencadeada após as forças de segurança terem invadido a sede da também oposição Cidadãos pela Inovação (CI), em 29 de setembro, depois de um cerco de cinco dias, e de prenderem o seu líder, Gabriel Nsé Obiang, e inúmeros apoiantes.
Nessa operação, a polícia usou gás lacrimogéneo e pelo menos um agente foi morto "por tiros de um seguidor de (Nsé) Obiang", enquanto 16 ficaram feridos, segundo a televisão estatal TVGE.
Fontes do executivo nacional do partido, segundo as quais cerca de cinquenta civis também ficaram feridos, confirmaram à agência de notícias espanhola EFE, sob condição de anonimato, o número oficial de quatro civis mortos, mas sublinharam que não morreram por gás lacrimogéneo, como noticia a TVGE, mas sim por serem atingidos com tiros.
A EFE não conseguiu, porém, confirmar com fontes independentes o número de vítimas.
As referidas fontes asseguraram à EFE que Nsé Obiang foi transferido na quarta-feira passada para a prisão de Black Beach, na capital do país, Malabo, embora ainda não saibam quais as acusações que foram apresentadas contra aquele dirigente da oposição.
Nesse mesmo dia, o secretário-geral do Ministério da Segurança, Santiago Edu Asama Nchama, afirmou que cerca de cinquenta pessoas ainda estavam detidas, números que a CI não pôde confirmar.
Conforme confirmado à EFE por Arístides José Edjang, presidente do Conselho Económico e Transparência do partido, cerca de trezentas pessoas estavam no local quando ocorreu o confronto, enquanto o executivo nacional estima que mais de cem foram libertadas na noite de 03 de outubro.
Nesse encontro de apoiantes, o CI teve que decidir se Nsé Obiang seria o seu candidato presidencial contra o chefe de Estado, Teodoro Obiang, que anunciou a sua candidatura em 23 de setembro, procurando assim alcançar o seu sexto mandato nas próximas eleições presidenciais, que se realizam em simultâneo com as parlamentares e municipais.
O partido CI foi proscrito por uma decisão judicial em 2018, mas o seu líder garante que foi novamente "legalizado" nesse ano através de uma amnistia geral promulgada pelo Governo para os presos políticos, algo que as autoridades da Guiné Equatorial negam.
Nas eleições legislativas de 2017, o CI foi o único partido da oposição que conquistou um assento na Câmara dos Deputados (Câmara Baixa), embora esse legislador tenha sido condenado no julgamento de 2018, enquanto o PDGE controla 99 dos 100 lugares que compõem aquela câmara.
Nas últimas eleições presidenciais, realizadas em 2016, o Presidente foi reeleito com mais de 95% dos votos, resultado marcado por denúncias de fraude por parte da oposição e da comunidade internacional.
Teodoro Obiang, de 80 anos, governa o país com mão de ferro desde 1979, quando derrubou o seu tio Francisco Macías num golpe de Estado, e é hoje o Presidente há mais tempo no cargo em todo o mundo.
Desde a sua independência de Espanha, em 1968, a Guiné Equatorial é considerada pelas organizações de direitos humanos um dos países mais corruptos e repressivos do mundo.
A Guiné Equatorial é, desde 2014, um dos nove estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).