Angola e Congo recorrem a documentação com mais de um século para definir fronteiras
Cabinda, Angola, 30 ago (Lusa) - As autoridades de Angola e da República do Congo vão recorrer a documentos com mais de um século, do tempo colonial português e francês, respetivamente, para definição dos marcos de fronteira entre os dois países.
Em causa, da parte angolana, está a fronteira da província de Cabinda, no norte do país, e que envolveu, entre 28 e 29 de agosto, uma reunião da subcomissão de verificação da fronteira terrestre e fluvial com o Congo (Brazzaville).
Esta verificação das fronteiras acontece após incidentes verificados em 2013, entre os dois países.
De acordo com informação agora divulgada, os representantes dos países nesta subcomissão acordaram na troca e análise de documentos jurídicos e cartográficos das fronteiras, a que se seguirá uma verificação dos respetivos marcos, no terreno.
A análise envolverá, segundo a mesma informação, documentos atribuídos a uma comissão de delimitação franco-portuguesa, de 1901, sobre a localização dos marcos fronteiriços entre Cabinda e o Congo.
A 14 de outubro de 2013 registou-se uma incursão militar congolesa em território angolano, alguns quilómetros além dos marcos fronteiriços existentes, em Cabinda.
O incidente ocorreu na zona de Pangui/Miconje e levou as autoridades dos dois países a reunirem-se para tentar ultrapassar a situação, que culminou com o encontro das chefias diplomáticas.
Em março passado, aquando do encontro de ministros, o chefe da diplomacia angolana, Georges Chikoti, frisou existirem aspetos de fronteiras que requerem um tratamento conjunto.
"Em todos os pontos de fronteira onde há problemas, vamos recorrer às fronteiras traçadas pelos franceses e portugueses. Como há pontos que não estão muito claros, nos nossos mapas e do Congo, vamos encontrar uma solução que permita que os peritos dos dois países possam percorrer toda a fronteira e estabelecer uma linha aceite por todas as partes", disse na altura Chikoti.
Esta primeira reunião da subcomissão de verificação das fronteiras aconteceu em Cabinda, seguindo-se novo encontro, ainda por agendar, nas cidades de Ponta-Negra ou Dolisie (República do Congo).