Angola tem apenas 1.700 médicos, bastonário diz que são insuficientes
A Ordem dos Médicos de Angola tem inscritos apenas 1.700 profissionais em todo o país, o que é "claramente insuficiente" para as necessidades da população, afirmou hoje o bastonário João Bastos, por ocasião das comemorações do Dia do Médico.
"É um número claramente insuficiente para atender as necessidades da população. Precisamos de muitos mais médicos, principalmente nas províncias, onde há mais carência de médicos", salientou João Bastos.
Segundo o bastonário, a Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto forma anualmente cerca de meia centena de médicos, o que é "uma gota no oceano, tendo em conta as necessidades do país".
"Temos de aumentar este número para cinco vezes mais, de forma a que possamos ter dentro de 20 anos uma população médica capaz de atenuar a gritante falta de médicos", defendeu.
Numa extensa entrevista que concedeu ao Jornal de Angola, o Bastonário da Ordem dos Médicos frisou que o problema não reside apenas no reduzido número de profissionais existentes, mas também na falta de especialistas.
"De uma maneira geral, precisamos de médicos de todas as especialidades", afirmou, especificando que o problema é mais grave ao nível dos especialistas em saúde pública, clínica geral, pediatria e obstetrícia.
A falta de clínicos em Angola originou outro problema que a ordem tem vindo a combater, que está relacionado com a existência de "falsos médicos", cuja actividade prejudica a população.
"É um problema que resulta das insuficiências existentes e tem a ver com o aparecimento de pessoas que procuram tirar proveito disso, fazendo-se passar por médicos", salientou João Bastos, assegurando que a Ordem dos Médicos "está a desmascarar estes indivíduos".
O bastonário alertou também para a necessidade de ser revisto o nível de remunerações destes profissionais, considerando que os actuais salários "não são compatíveis com o exercício da profissão".
"Os médicos têm que ser bem pagos, conforme a sua diferenciação técnica e os anos de formação", defendeu, frisando que os médicos recebem salários "muito baixos", comparativamente com outras profissões que não têm os mesmos riscos e nível de exigência.
Actualmente, os salários dos médicos angolanos variam entre os 67.530 cuanzas (cerca de 700 euros) que recebe mensalmente um interno geral e os 135 mil cuanzas (cerca de 1.400 euros) que aufere um médico-chefe.
"São valores irrisórios. O que se pode fazer com 67 mil cuanzas por mês? Quase nada, já que o custo de vida é muito alto em Angola", afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos.
A actual situação da classe estará em análise no II Congresso Internacional de Médicos, que decorre a partir de hoje em Luanda com a presença de clínicos de vários países lusófonos, entre os quais Portugal.
O bastonário da Ordem dos Médicos de Portugal, Pedro Nunes, chegou domingo à noite a Luanda para participar neste congresso, que decorre até quinta-feira, data em se comemora o Dia Nacional do Médico em Angola.